Economia

Greve geral pode custar até 700 milhões de euros à economia portuguesa

A Ordem dos Economistas estima que a greve geral de dia 11 poderá custar entre 600 e 700 milhões de euros à economia portuguesa, num cenário em que metade dos trabalhadores adira à paralisação.

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A Ordem dos Economistas prevê que a greve geral marcada para quinta-feira tenha um impacto económico significativo. Os cálculos apontam para perdas entre 600 e 700 milhões de euros, assumindo um cenário de adesão na ordem dos 50 por cento dos trabalhadores, tanto do setor público como do privado.

Segundo a delegação Norte da Ordem dos Economistas, o impacto resulta sobretudo da quebra de produção e de consumo, bem como das perturbações nas cadeias de abastecimento.

"O custo direto decorre de perda de produção, perda de consumo e de todas as disrupções nas cadeias de abastecimento e de escoamento. Haverá muita gente que pode não ir trabalhar, não porque vai aderir à greve, mas por causa das disrupções nos transportes públicos. Só isso fará com que haja perdas de produção", diz Carlos Brito, presidente da Ordem dos Economistas Norte.

A instituição calcula que, num dia de greve, a riqueza produzida pelo país seja equivalente a cerca de meio dia de trabalho perdido.

Transportes, hospitais, escolas, bancos e até voos deverão ser afetados. Apesar de existirem serviços mínimos em vários setores, estes não cobrem toda a atividade.

No Metro de Lisboa, por exemplo, não foram decretados serviços mínimos. A empresa anunciou que vai recorrer da decisão, defendendo que se trata de um serviço público essencial. No Porto, também não estão previstos serviços mínimos na STCP, que assegura grande parte da mobilidade na cidade.

A Ordem dos Economistas acredita ainda que uma adesão significativa à paralisação pode pressionar o governo a rever algumas das medidas previstas no pacote laboral.

"O pacote laboral é necessário mas antes disso há muitas coisas para fazer. Falando com muitos empresários, digo-lhe com muita franqueza, a maioria diz que não é necessário alterar a lei laboral para aumentar a competitividade da economia portuguesa. Fundamental é alterar a política fiscal", afirma Carlos Brito.

A greve foi convocada inicialmente pela CGTP e pela UGT, mas já conta com a adesão de mais de 20 sindicatos de vários setores. A paralisação abrange trabalhadores do público e do privado e, segundo a Ordem dos Economistas, não coloca trabalhadores contra empresas, mas sim contra o governo.

"O governo com isto mostra duas inabilidades. A primeira é a falta de oportunidade. A segunda é uma inabilidade para negociar. Foi tudo muito mal feito", critica Carlos Brito.

A greve geral deverá ter efeitos não apenas na quinta-feira, mas também nos dias seguintes, devido ao efeito acumulado das perturbações nos vários serviços.