Economia

Entrevista SIC

"Passámos de muito pobres a um pouco menos pobres, continuamos a ser um país de grandes desigualdades"

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afirma que Portugal teve "o melhor desempenho económico do ano", mas reconhece que o país continua "com grandes desigualdades". Sobre a greve geral, considera-a legítima, mas diz que o momento escolhido "não faz sentido".

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O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afirmou na SIC que o reconhecimento da "Economist", que colocou Portugal no topo do desempenho económico global em 2025,"é mérito dos portugueses, sem dúvida". Destacou indicadores como a inflação controlada, o crescimento económico acima da média europeia, o bom desempenho da Bolsa e o aumento do emprego, mas também admitiu que esta evolução não se reflete ainda plenamente na vida das pessoas.

"Este governo inicia funções com Portugal em 81% do PIB per capita da União Europeia. Portanto, estamos a partir de muito cá atrás. Damos um salto grande em 2025, parabéns aos portugueses, mas ainda estamos muito longe (...) Passámos de muito pobres a um pouco menos pobres, demos o maior salto de todos, mas continuamos a ser um país com grandes desigualdades".

O ministro sublinhou também que, em 2024, Portugal foi "o país da OCDE onde o salário médio mais cresceu", e afastou a ideia de que o reconhecimento da revista esteja ligado apenas ao turismo ou à chegada de estrangeiros ricos.

"Os turistas ricos não vêm trabalhar para Portugal. Vêm divertir-se, vêm usar as suas reformas, não vêm trabalhar. O indicador do emprego é muito bom. Aliás, é um dos casos que mais puxa para cima a nota média de Portugal".

"É incompreensível o timing desta greve"

Sobre a greve geral marcada para quinta-feira, Manuel Castro Almeida disse que considera que "a greve é legítima e deve ser respeitada", mas criticou o momento escolhido.

"Tendo o emprego em máximos, as contas públicas controladas, a inflação controlada e o maior aumento salarial da OCDE no ano passado, é um bocadinho estranho o timing desta greve".

O ministro considera que muitos portugueses "não sabem por que é que está marcada uma greve geral", algo que atribui a falhas de comunicação do Governo e ao facto de ainda existir "muita pobreza" no país.

Sobre a possibilidade de uma requisição civil, o ministro remeteu o tema para a tutela do Trabalho.

"Só nos casos de extrema necessidade deve haver recurso a essa medida. Esse assunto está entregue à sra. ministra do Trabalho e eu não domino o detalhe dessa situação".

Reformas laborais vão avançar

Manuel Castro Almeida garantiu que o pacote laboral do Governo vai seguir o seu curso, independentemente da greve geral.

"O objetivo do Governo é modernizar a economia e tornar cada empresa mais competitiva. É a única forma de aumentar salários. Temos que trabalhar todos os dias nesse sentido e mudar as leis que sejam necessárias para conseguir ter empresas mais competitivas, que o trabalho produza mais resultados, que as empresas possam faturar mais. É a única forma depois de poderem distribuir melhor e haver melhores salários, mais crescimento económico. Esse objetivo nós não vamos deixá-lo".

O ministro defendeu negociações contínuas e um eventual acordo em concertação social antes de levar as medidas ao Parlamento.