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O que prevê o mega acordo comercial entre a UE e a Índia?

A União Europeia e a Índia fecharam um mega acordo comercial. Uma parceria com significado político para os europeus, face à imprevisibilidade de Trump e à tensão comercial com os Estados Unidos. Trata-se de um acordo histórico para duplicar exportações até 2032. Eis o que precisa de saber.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
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A União Europeia e a Índia concluíram um acordo comercial considerado "histórico" por ambas as partes, que deverá permitir duplicar as exportações europeias de bens até 2032, com ganhos significativos para várias áreas económicas.

É o maior acordo comercial negociado até agora pela UE.

Mais de 90% das tarifas são reduzidas quando o acordo entrar em vigor. No setor automóvel, os direitos aduaneiros sobre os carros europeus descem de 110% para 10%, com uma quota 250 mil veículos ano. No setor agroalimentar, há um período de transição de sete anos para a redução das tarifas sobre o vinho e cerveja, e as tarifas sobre o azeite também vão reduzir.

Mas vamos por partes.

Redução generalizada das tarifas

O acordo prevê uma redução ampla das taxas aduaneiras aplicadas pela Índia aos produtos industriais da União Europeia.

A indústria automóvel surge como uma das grandes vencedoras, sendo estratégica para a Alemanha e uma prioridade nas negociações.

A UE beneficiará de uma quota anual de 250.000 veículos com tarifas reduzidas, descendo progressivamente de 110% para 10%.

Esta quota inclui 160.000 veículos com motor de combustão interna e 90.000 veículos elétricos.

As peças sobresselentes para automóveis terão as tarifas totalmente eliminadas num prazo de cinco a 10 anos.

Benefícios para a aeronáutica, máquinas e produtos farmacêuticos

As tarifas indianas sobre o setor aeronáutico serão reduzidas a zero, em vez dos anteriores 11%, beneficiando diretamente a França e a Airbus.

As taxas aplicadas a máquinas e equipamentos elétricos cairão de níveis que podiam atingir 44% para zero e o mesmo acontecerá com equipamento médico, produtos químicos, ferro e aço e produtos farmacêuticos.

Vinhos, bebidas espirituosas e azeite entre vencedores agrícolas

As tarifas sobre o vinho europeu descerão dos atuais 150% para 20% ou 30%, beneficiando sobretudo França, Itália e Espanha.

As taxas sobre bebidas espirituosas cairão para 40%, face a níveis que podiam atingir 150%.

A cerveja verá as tarifas reduzidas de 110% para 50%.

O azeite, produto emblemático de Itália, Espanha e Grécia, deixará de estar sujeito a qualquer tarifa, depois de atualmente ser taxado até 45%.

Produtos alimentares transformados com tarifas a zero

Massas, pão, doces e chocolate passarão a beneficiar de tarifas nulas e o mesmo se aplica a sumos de fruta, carne de carneiro e de borrego.

Peras e kiwis, produzidos sobretudo em Itália e no sudoeste de França, verão as tarifas reduzidas de 33% para 10%, ao abrigo de uma quota específica.

As tarifas sobre salsichas e outros produtos cárneos cairão de um máximo de 110% para 50%.

Setores sensíveis excluídos e mecanismos de proteção agrícola

A UE manterá tarifas sobre importações indianas de carne de bovino, açúcar, arroz, frango, leite em pó, mel, bananas, trigo mole, alho e etanol.

Serão aplicadas quotas a produtos como carne de carneiro, borrego e cabra, milho doce, uvas, pepino, cebola desidratada, rum à base de melaço e amido.

O acordo inclui cláusulas de salvaguarda para permitir medidas rápidas caso um setor agrícola europeu seja desestabilizado.

A UE e a Índia vão ainda negociar o reconhecimento, na Índia, de produtos europeus com indicações geográficas protegidas.

Bruxelas sublinha que todas as importações indianas terão de respeitar as normas europeias de saúde e segurança.

Ganhos estratégicos para a Índia no aço

A UE concederá à Índia uma quota anual de 1,6 milhões de toneladas de aço que poderá entrar no mercado europeu sem impostos.

Em troca, Nova Deli compromete-se a não contestar junto da Organização Mundial do Comércio as medidas protecionistas da UE destinadas a proteger a indústria siderúrgica europeia.

Divergências sobre o imposto do carbono

A União Europeia manterá o seu imposto sobre o carbono, mas Bruxelas e Nova Deli acordaram iniciar um diálogo sobre a aplicação deste mecanismo e o seu impacto nas exportações indianas.

Mobilidade de trabalhadores qualificados

A UE e a Índia assinaram um memorando de entendimento para facilitar a entrada na Europa de trabalhadores indianos qualificados, nomeadamente no setor tecnológico, que abrange ainda trabalhadores sazonais em setores com falta de mão-de-obra, estudantes e investigadores.