"Quando eu puder, eu pago as rendas. A luz e a água são os meus filhos que estão a pagar. Não para isso que temos os nossos filhos, temos os filhos para ajudá-los, não para ser mantida por eles". Como mãe, Alzira sabe que não é essa a ordem natural das coisas.
Só que, em tempos difíceis, a única solução é aceitar ajuda. Alzira Carvalho, 46 anos, trabalhava há seis, na Zenaide, uma empresa de Confeções Texteis, em Penafiel. Não foi despedida, nem a empresa fechou. Mas há um mês, Alzira ficou sem trabalho.
"Não recebíamos desde janeiro, mais o subsídio de Natal, meio de agosto de 2024 e meio subsídio de Natal de 2023".
Dinheiro que, todo somado, em ambos os casos, chega a uma dívida de quatro mil euros a cada uma.
Marta foi engomadora na Zenaide durante oito anos. Ao sair da fábrica, perdeu o ganha-pão, com que mantinha os quatro filhos. Ficaram as contas por pagar: "Há contas que ficam um bocado atrasadas, a última conta que ficou atrasada foi a prestação do carro".
Estão na mesma situação, as 86 trabalhadoras da fábrica de confeção têxtil Zenaide, em Oldrões, Penafiel. A 3 de março, uniram-se e manifestaram-se à porta da empresa.
Puseram fim aos contratos de trabalho, por salários em atraso e reconhecimento dos direitos. Como foram as trabalhadoras a suspender o contrato, não têm acesso, para já, ao subsídio de desemprego.
Até conseguirem oficializar a situação de desempregadas vão, com a ajuda de uma advogada, tentar pedir o subsídio social.
Não foi apenas a vida destas trabalhadoras que deu uma grande volta nos últimos tempos. Na região que abrange o Tâmega e Sousa fecharam 149 empresas só entre outubro e dezembro.
Em todo o país, nesse último trimestre de 2024, decretaram insolvência mais de 2.200 empresas.
