Afeganistão

Talibãs reivindicam atentado contra casa de ministro em Cabul que fez 12 mortos

JAWED KARGAR / EPA

"Este ataque é o início de uma operação de vingança contra os tais importantes (...) funcionários da administração de Cabul, que dão ordens para bombardearem as casas dos civis", ameaçam os talibãs.

As forças talibãs reivindicaram hoje o ataque contra a casa do ministro da Defesa do Afeganistão em Cabul que saiu ileso do atentado mas que fez 12 mortos e 22 feridos.

O ataque suicida ocorrido na noite de terça-feira contra a "residência dos ministro da Defesa" começou com a explosão de um carro armadilhado e foi levado a cabo por um grupo de combatentes talibãs, disse hoje em comunicado o principal porta-voz dos "insurgentes", Zabihullah Mujahid acrescentando que se registaram "numerosas baixas".

"Este ataque é o início de uma operação de vingança contra os tais importantes (...) funcionários da administração de Cabul, que dão ordens para bombardearem as casas dos civis, as infraestruturas públicas e que obrigam as pessoas a fugirem dos locais onde vivem e que cometem crimes nas províncias", acrescenta a mensagem de Mujahid.

Este foi o primeiro ataque de grande dimensão a Cabul em meses, tendo provocado a morte de oito civis e também de quatro atacantes, segundo as autoridades afegãs.

Pouco antes de os talibãs reivindicarem o ataque contra a casa do ministro da Defesa Bismillah Khan Mohammadi, o Presidente afegão, Ashraf Ghani, acusava os "insurgentes" de terrorismo contra a capital do país.

"A guerra dos talibãs é uma demonstração de sedição e de corrupção" acusou o presidente do Afeganistão.

Tal como aconteceu durante o cerco à cidade de Herat (sul) na terça-feira, após o ataque a Cabul milhares de pessoas saíram às ruas para gritarem "Alá é Grande", num gesto encarado pelo governo como contra os talibãs.

O porta-voz dos talibãs criticou, através de uma mensagem na rede social Twitter, que o grito "Alá é Grande" é um lema dos "insurgentes" contra a ocupação norte-americana do Afeganistão durante os últimos 20 anos e não deve ser apropriado pelos "fantoches dos Estados Unidos".

O ataque contra a casa do ministro da Defesa ocorre num período de grande instabilidade no país, marcada pela retirada das forças estrangeiras e que desencadeou uma ofensiva de grande escala das forças talibãs.

Nos últimos três meses os talibãs conseguiram tomar cerca de 125 posições nos vários distritos, a maior conquista em duas décadas de guerra assim como mantêm ataques contra várias capitais provinciais como Kandahar, Lashkar Gah e Herat.

Entretanto, os habitantes de Lashkar Gah, no sul do Afeganistão, tentam sair da cidade para evitarem o contra-ataque do Exército que pretende fazer recuar as forças talibãs que já se encontram nas zonas urbanas.

Laskhar Gah, capital da província de Helmand é habitada por 200 mil pessoas.

"As famílias que têm recursos financeiros ou uma viatura já saíram de casa mas as famílias como nós ficam aqui. Não sabemos para onde ir", disse Halim Karimi, habitante de Laskar Gah, à agência France Presse.

"Não há meios para fugirmos e os combates estão a intensificar-se. Não há garantias de que não somos abatidos pelo caminho. O governo e os talibãs vão destruir-nos", disse Saleh Mohammad, um outro residente de Lashkar Gah.

Na terça-feira, a missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) informava que 40 civis tinham morrido e 200 ficaram feridos na sequência de combates durante as 24 horas anteriores em Lashkar Gah.

Na terça-feira, uma mensagem difundida por uma estação de rádio, o general Sami Sadat, a mais alta patente das forças governamentais no sul do Afeganistão, apelava aos habitantes para evacuarem a cidade de Lashkar Gah para evitarem o contra-ataque do Exército.

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