Alterações Climáticas

Icebergue A23a, que já foi o maior do mundo, vai desaparecer em breve

O icebergue que se desprendeu da Antártida em 1986 deverá desaparecer completamente nas próximas semanas devido às condições de verão no Hemisfério Sul.

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O icebergue A23a, que chegou a ser o maior do mundo, está a desintegrar-se rapidamente e deverá desaparecer nas próximas semanas, depois de quase quatro décadas à deriva desde que se desprendeu da Antártida.

O icebergue A23a, que chegou a ser o maior do mundo, entrou na fase final da sua vida, tendo encolhido para menos de um oitavo do seu tamanho original, segundo a Administração Meteorológica da China (CMA).

As imagens mais recentes a cores reais do satélite Fengyun-3D (FY-3D) mostram que o corpo principal do icebergue cobre agora apenas 503 quilómetros quadrados. Trata-se de uma redução acentuada face a há poucas semanas, quando a área era de 948 quilómetros quadrados.

A 8 de janeiro, estimativas do Centro Nacional de Gelo dos Estados Unidos, divulgadas pela NASA, apontavam ainda para uma área de 1.182 quilómetros quadrados.

Quando se desprendeu da plataforma de gelo da Antártida, em 1986, o A23a tinha uma área de cerca de 4.170 quilómetros quadrados. Desde então, passou quase quatro décadas numa longa deriva, do nascimento até ao seu iminente desaparecimento.

Imagens de satélite do maior icebergue do mundo, denominado de A23a, visto na Antártica a 15 de novembro de 2023.
EUROPEAN UNION/COPERNICUS SENTINEL

Monitorização por satélite

Atualmente, o icebergue encontra-se em águas frias a cerca de 250 quilómetros a oeste da ilha da Geórgia do Sul, na latitude 52,75 graus sul e longitude 41,34 graus oeste. É ali que a sua evolução de quase 40 anos está a chegar ao fim.

Vários especialistas têm vido a acompanhar a evolução do A23a por satélite, como é o caso do Centro Nacional de Meteorologia por Satélite (NSMC), da CMA, têm vindo a acompanhar de forma contínua a trajetória do A23a desde 2023 e o seu processo de desintegração desde o início de 2025. A monitorização é feita com recurso ao Medium Resolution Spectral Imager, o imageador espectral de média resolução a bordo dos satélites chineses da série FY-3.

Icebergue A23a a 26 de dezembro de 2025
NASA

Fragmentação acelerada em janeiro

Os dados mais recentes indicam uma separação significativa no início de 2026. A 8 de janeiro, o corpo principal do icebergue encontrava-se ainda praticamente intacto, com apenas pequenas fissuras à superfície. No dia seguinte, já se tinha fragmentado em quatro partes principais.

O gelo e os detritos libertados preencheram rapidamente os espaços entre os blocos, afastando progressivamente o corpo principal dos fragmentos. O processo acelerou nos dias seguintes. A 14 de janeiro, formaram-se canais de água límpida entre o corpo principal e os três maiores sub-icebergues, sinal claro de uma separação completa.

Icebergue A23a a 27 de dezembro de 2025
NASA

Hidrofraturação explica a desintegração

Segundo os especialistas, a principal causa da rápida falha estrutural do icebergue é um processo conhecido como hidrofraturação.

“A água do degelo acumula-se continuamente, criando uma enorme pressão nas extremidades e forçando a abertura de novas fissuras na massa de gelo. A água infiltra-se nessas fissuras, erodindo-as, e pode mesmo escorrer pelas paredes de gelo. Esta erosão contínua alarga as fendas, funcionando como uma cunha que divide a massa de gelo. Este é o principal fator da rápida desintegração do icebergue”, explicou Zheng Zhaojun, especialista-chefe do Centro Internacional de Serviços ao Utilizador do NSMC.

O especialista acrescenta que as correntes oceânicas transportam água com temperaturas entre os 3 e os 4 graus Celsius, que erode a base do icebergue, tornando-o mais fino e instável.

Risco para a navegação

O A23a deverá desintegrar-se completamente nas próximas semanas. Os fragmentos remanescentes e o gelo flutuante, atualmente dispersos por uma área de cerca de 1.439 quilómetros quadrados, representam um risco significativo para a navegação nos próximos meses.

Sendo verão no Hemisfério Sul, as condições meteorológicas relativamente favoráveis, associadas ao aumento da temperatura do ar e da água, estão a acelerar ainda mais o processo de fragmentação.

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