Assalto em Tancos

Tancos: 23 arguidos respondem pelo roubo de armas e pela farsa montada para a recuperação do material

Entre os argudios está o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, acusado de ter sabido da operação clandestina.

Começou esta segunda-feira o julgamento que junta no banco dos réus 23 arguidos, entre eles o ex-ministro da Defesa.

O advogado do ex-ministro da Defesa, arguido no processo de Tancos, disse que a acusação não aponta qualquer facto contra Azeredo Lopes, acusando-a de ser "fantasiosa e um mau exemplo". Azeredo Lopes está acusado de ter conhecimento de uma operação clandestina para recuperar as armas.

A defesa de Vasco Brazão, ex-diretor da Polícia Judiciária Militar, que alegadamente também terá participado nesse encobrimento, chamou Marcelo Rebelo de Sousa como testemunha. O advogado admitiu que o arguido errou ao ocultar informações da investigação à PJ (civil) e que está "em tribunal para assumir o seu erro", mas negou ter feito um acordo com o arguido João Paulino para ter conhecimento do local onde foram depositadas as armas.

Ricardo Sá Fernandes afirmou que não acredita que João Paulino, o alegado mentor do furto do armamento nos paióis nacionais, "tenha feito um acordo com as autoridades policiais", e que foi enganado, como disse o seu advogado. Para o advogado do ex-porta-voz da PJM, "a credibilidade do arguido é zero ou próximo de zero", uma afirmação que provocou uma reação do defensor de João Paulino, Melo Alves, chegando ambos a trocarem uma palavras com voz exaltada.

Para Melo Alves, João Paulino está arrependido do furto e comprovou-o com a entrega do material que faltava à PJ, apesar de este ser "facilmente vendável no mercado negro". O seu cliente, disse, fez um acordo "com o Estado e com a PJ" tendo-lhe sido prometido "que não seria sujeito a qualquer procedimento criminal", o que não aconteceu.

Nove arguidos vão responder por associação criminosa, tráfico e mediação de armas e terrorismo, entre os quais está o mentor do furto João Paulino, segundo o Ministério Público, e os restantes 14, entre eles Azeredo Lopes e dois elementos da PJM, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento, em outubro de 2017 na Chamusca.

O caso do furto do armamento de guerra foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra furtado ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.