Ataque dos EUA à Venezuela

Estados Unidos acusam Maduro de proteger rede de narcotráfico e cultura de corrupção na Venezuela

O Departamento de Justiça norte-americano acusou formalmente o Presidente venezuelano, a sua mulher Cilia Flores e outros altos responsáveis de participarem numa rede de narcotráfico e corrupção.

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Os Estados Unidos acusaram este sábado o Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, de "participar, perpetuar e proteger" uma cultura de corrupção na qual as elites venezuelanas se enriquecem através do tráfico de droga.

O Departamento de Justiça norte-americano divulgou a acusação contra Maduro, atualmente sob custódia das autoridades norte-americanas, por "participar, perpetuar e proteger uma cultura de corrupção na qual as poderosas elites venezuelanas se enriquecem através do narcotráfico e da proteção dos seus parceiros traficantes de droga".

A acusação envolve igualmente a mulher de Maduro, Cilia Flores, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e o filho único do Presidente, Nicolas Maduro Guerra, ligando o chefe de Estado venezuelano a cartéis de narcotráfico e a "grupos narcoterroristas violentos" que "se alimentavam dos lucros da cocaína".

"Estas organizações narcoterroristas não só trabalhavam diretamente com altos responsáveis venezuelanos e lhes enviavam os lucros, como também forneciam cobertura policial e apoio logístico para o transporte de cocaína através da Venezuela, sabendo que os seus parceiros narcotraficantes a fariam chegar aos Estados Unidos", refere a acusação divulgada pela procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, na rede social X.

Os Estados Unidos também acusam Maduro de, no período em que exerceu funções como ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2006 e 2008, vender "passaportes diplomáticos venezuelanos a narcotraficantes para facilitar o transporte do produto da droga do México para a Venezuela sob cobertura diplomática".

No que diz respeito à mulher de Maduro, o Ministério da Justiça norte-americano acusa Cilia Flores de ter aceite "centenas de milhares de dólares em subornos para negociar uma reunião entre um grande narcotraficante e o diretor do Gabinete Nacional Antidrogas da Venezuela, Néstor Reverol Torres".

Entre cerca de 2004 e 2015, o casal, indicou o Departamento de Justiça norte-americano, "colaborou no tráfico de cocaína, grande parte da qual havia sido previamente apreendida pelas forças de segurança venezuelanas, com a assistência de escoltas militares armadas".

Tudo indica que o casal será julgado no Tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque, onde o caso foi iniciado em 2020. Maduro, lembrou Bondi, "foi acusado de conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e engenhos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e engenhos destrutivos contra os Estados Unidos".

A procuradora-geral anunciou ainda que o casal "enfrentará em breve a ira da justiça norte-americana em solo norte-americano e perante tribunais norte-americanos".


Com LUSA