Autárquicas

Santana lembra saída da Figueira da Foz: “Saí de lá porque me deram guia de marcha. Na altura chorei”

Entrevista SIC Notícias

O ex-primeiro ministro quer realizar três mandatos à frente da Câmara da Figueira da Foz.

Pedro Santana Lopes candidata-se, pela segunda vez, à Câmara Municipal da Figueira da Foz, desta vez como independente. Depois de ter sido autarca em Lisboa, primeiro-ministro e ter estado vários anos à frente da Santa Casa da Misericórdia, Santana Lopes quer voltar ao sítio onde foi “muito feliz”.

“Há aquele ditado “não se deve voltar ao sítio onde se foi feliz”. Mas eu fui muito feliz na figueira. Eu saí de lá porque me deram uma guia de marcha – na altura Durão Barroso era o presidente do partido, não o estou a culpar – para ser candidato em Lisboa. Na altura chorei lágrimas, tive pena. Tinha um segundo mandato para fazer e queria fazê-lo”, conta em entrevista à Edição da Noite da SIC Notícias.

O antigo líder do partido Aliança afirma que o trabalho autárquico foi o que mais gostou de fazer, principalmente na Câmara da Figueira da Foz. Lembrou várias obras que deixou feitas para o concelho durante o mandato, entre 1997 e 2001. Quando confrontado com a dívida que também deixou, respondeu tratar-se de “dívida boa”.

“A dívida foi dívida boa. Quando é feita em obras que dão para várias gerações”, afirma, acrescentando que investiu em saneamento no concelho todo, construiu piscinas nas freguesias, adquiriu monumentos históricos e fez o Centro de Artes e Espetáculos (CAE). “Se eu não tivesse feito isso naquele mandato, os figueirenses, em todas estas áreas, provavelmente ainda estariam à espera de um dia. Porque os senhores das cidades tinham e eles não tinham direito a ter. Vou governar, como fiz da outra vez, para o concelho todo.”

Aos 65 anos, o objetivo de Santana Lopes é fazer os três mandatos na Figueira da Foz. “É para igualar o Presidente da República: ele está com 70 e poucos, mais este mandato faz 77. Eu tenho 65, mais 12 dá 77. Deus nos dê vida e saúde.”

Indo ao encontro do lema da sua campanha – “Figueira a primeira” –, Santana Lopes destaca que o objetivo para o mandato é colocar o município da Figueira da Foz “no mapa” e “à frente”.

As mudanças no centro direita

Confrontado com a sondagem publicada pelo DN, JN e pela TSF, que apresenta uma subida do Chega e do Iniciativa Liberal e o quase desaparecimento do CDS, Santana Lopes diz que se trata de um resultado “expectável”.

“Tive um certo pressentimento que as coisas iam mudar no centro direita, quando saí do PSD e fiz outra força política. Estava a sentir que as forças tradicionais estavam um pouco esgotadas, tinham de se renovar na sua maneira de intervir, nas causas que defendiam. E o que está a acontecer, o PSD está-se a aguentar, para o CDS está difícil e os novos estão-se a afirmar”, analisa o candidato à Câmara da Figueira da Foz.

Sobre a sua experiência na liderança do Aliança, Santana reconhece que “não correu bem”, e considera que os partidos IL e Chegam podem estar a ter bons resultados por terem “líderes novos”. “Têm mais eco, também têm propostas mais maracas. Para os partidos tradicionais não é tão fácil. O PS aguenta-se porque está no poder, mas quando deixar de estar no poder vamos ver”.

O ex-primeiro-ministro afirma ainda que não vê “muitas vezes a oposição a fazer o que mais importa”, reconhecendo que não se trata de uma tarefa fácil.

“Nós estamos num tempo de exceção, em que as forças políticas têm de convergir mais, demonstrar sentido de responsabilidade, não haver estas querelas do costume”, diz ainda, sublinhando que “as pessoas estão fartas dos políticos”.

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