Depois de Braga, a capital esteve em discussão, esta noite, na antena da SIC Notícias. Carlos Moedas (PSD/CDS/IL), Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN), João Ferreira (CDU) e Bruno Mascarenhas (Chega) estiveram frente a frente no primeiro debate rumo às eleições autárquicas de 12 de outubro.
O acidente com o elevador da Glória marcou o início do debate, com Alexandra Leitão a pedir “esclarecimentos” e o apuramento das responsabilidades para “não só honrar as vítimas mas, sobretudo, ”evitar que uma tragédia como destas volte a acontecer".
Ditou o sorteio que Carlos Moedas fosse o segundo a intervir, reiterando que esteve no terreno e a tomar “muitas decisões” em coordenação com o Governo por se tratar de “um acidente trágico que não era só de Lisboa, mas nacional e internacional”. Quanto a demitir-se, repetiu que seria “uma cobardia” e disse estar confiante, tendo em conta o que sente na rua, de que não será prejudicado por este acidente, até porque: “Nós demos todos os recursos à Carris”.
Opinião contrária manifestou o candidato da CDU: “Não concordo, não demos. E a melhor evidência disso já a tinhamos antes do acidente é que a Carris funciona mal, os transportes públicos em Lisboa e a Carris é um elemento estruturante da mobilidade em Lisboa, funciona mal, tem poucos percursos, horários em que não se pode confiar, zonas a descoberto à noite e ao fim de semana (…), a Carris não cumpre a sua função”.
“No que toca à despesa com a manutenção dos elevadores não houve um aumento”, acrescentou a candidata socialista.

Números de casas vs chaves entregues
As propostas de todos os candidatos para um dos principais problemas na capital passa por várias medidas - algumas partilhadas - e que preveem a construção de milhares de habitações.
Para o PS, a “construção municipal deve ser acelerada” em zonas como o Restelo, Marvila, a Tapada das Necessidades, a “emergência” do problema exige parcerias municipais que incluam público, privado e cooperativo, e é preciso, concluiu Alexandra Leitão, “mobilizar prédios devolutos", desde logo os municipais e públicos.
Já o atual autarca da capital declarou que se há assunto em que está ”à vontade com os lisboetas é com a habitação” e lançou números para a mesa do debate: “Já entregámos chaves a 2.804 famílias que de outra maneira não conseguiam ter casa, metade dessas casas para renda apoiada e outra metade para renda acessível (…). E depois ajudámos mais 1.300 famílias a pagar a renda”.
Para o candidato do Chega, a solução para uma Lisboa que ”está, de certa forma, ao abandono" é “construir através de investimento privado” e “privilegiando jovens portugueses”.
João Ferreira alertou que “a dimensão e gravidade do problema” é tal que exige uma robutez de políticas nacionais não só em Lisboa mas no conjunto da aérea metropolitana, assinalando que a capital, ao contrário de outras cidades europeias, “tem um défice de habitação pública”.
Antes da mudança de tema, a candidata socialista alertou para o que classificou de “muito falacioso: a história das chaves. (…) Destas 2.800, 1.264 estavam em construção quando Carlos Moedas chegou e era importante que o dissesse. E das restantes, uma parte pequena é nova.
"Chaves entregues e casas novas são dois conceitos diferentes”. O caminho, prosseguiu, passa por “libertar casas para um arrendamento duradouro e permanente é para isso “é preciso restringir o Alojamento Local (AL)” porque “Lisboa precisa de equilibrio entre turismo e casas para as pessoas viverem”,

Segurança: câmaras, luz e menos degradação
O tema da imigração entrou no debate com Carlos Moedas a garantir que o atual executivo camarário aumentou “muito a fiscalização” mas, reiterou, “precisamos de um política de imigração que seja eficaz” para dar dignidade aos imigrantes de que Portugal precisa como força de trabalho, até porque “a manifestação de interesse era um erro terrivel mas ainda temos um grande trabalho a fazer”.
Já Bruno Mascarenhas declarou que “só podemos integrar aqueles que querem ser integrados e têm uma raiz cultural connosco”, enquanto João Ferreira salientou que as câmaras municipais não “definem políticas de imigração essa é uma competência do Estado central”, a câmara o que deve fazer “é cuidar da realidade do concelho da melhor forma possivel, Lisboa deve ser uma cidade aberta ao país, ao mundo e inclusiva”.
Seguiu-se a questão da segurança com Alexandra Leitão a defender que a “insegurança é conceito muito amplo”, dando deste logo o exemplo de que a segurança é ter iluminação pública, não ter “espaços públicos degradados" - como o Jardim da Estrela, do Principe Real. E, acrescentou, ”evitar a insegurança é menos deagradação, menos lixo, mais iluminação".
“Quando cheguei à Câmara em 2021, o serviço de iluminação criado pelo executivo socialista tinha 16 pessoas para uma cidade da dimensão de Lisboa, nós estamos a duplicar esse serviço mas não conseguimos em quatro anos corrigir os erros de 14 anos”, afirmou Moedas sendo interrompido por Alexandra Leitão: “Se gasta mais e tem menos iluminação, gere mal”.
Se para o candidato do Chega, a solução passa por dar “mais competências” à polícia municipal" e pela criação de um centro de instalação temporária para imigrantes que chegam ao aeroporto de Lisboa, para o candidato da CDU, o fecho de várias esquadras de proximidade quebraram “uma relação fundamental numa dimensão preventiva da segurança”.

A fechar um debate de mais de uma hora, a socialista lançou os temas da higiene urbana, afirmando que “Lisboa nunca foi tão suja, nunca cheirou tão mal como agora”, e da mobilidade, considerando que a capital se tornou “uma cidade hostil para os peões”
"Houve investimento apenas no carro" e a "Carris nunca andou tão devagar, (…) não se fez um quilómetro de faixas BUS, pelo contrário, até se diminuiu”, disse, defendendo que "é preciso cumprir horários, quer na Carris quer no próprio Metro”.
O candidato do Chega prometeu “acabar com parte das ciclovias para dar fluidez ao tráfego” e João Ferreira entende ser necessário "duplicar o investimento anual na Carris” para 100 milhões de euros ao longo do próximo mandato e defendeu o abandono do projeto da linha circular no Metro de Lisboa.
Quanto a Carlos Moedas, ouviu as críticas mas já não teve tempo para qualquer comentário.
Como correu o debate?

