Com Rui Moreira de fora por ter atingido o limite de mandatos, está tudo em aberto na corrida à Invicta. O ex-ministro Pedro Duarte, que lidera a coligação PSD, CDS e Iniciativa Liberal, Manuel Pizarro, que encabeça pela terceira vez a candidatura do PS, Miguel Corte-Real (Chega), Sérgio Aires (BE), e Diana Ferreira (CDU) encontraram-se esta noite para falar sobre os problemas do Porto, a começar pela habitação.
“Um problema de dimensão dramática que se arrasta há anos” e cuja “resolução exige mobilização de diferentes meios" e o “envolvimento de vários atores” por ser desde logo, vincou a candidata da CDU, ”um direito constitucional".
Ditou o sorteio que a Diana Ferreira se seguisse o candidato do Chega. Partilhando da preocupação com o “grave problema” da habitação, Miguel Corte-Real defendeu uma ação imediata. Como? “Alargando o programa Portugal solidário, que funciona bem”. E como se paga? "com recurso à taxa turística.
Manuel Pizarro concordou que a habitação “é mesmo o maior problema que o Porto tem”, dano o exemplo de um T2 cujo arrendamento aumentou 72%. Uma das soluções passa, por isso, por um mercado para arrendamento a custos razoáveis com "uma renda moderada à moda do Porto", que varie entre os 400 e os 700 euros" e que conte com uma comparticipação do Governo. Se assim não for, defendeu o socialista que se recorra “não só fundos estruturais da União Europeia” mas também à taxa turística e ao IMT.
Outro é o caminho que o candidato do PSD/CDS/IL quer seguir, desde logo por ter uma “visão diferente” para a cidade. Há, desde logo salientou Pedro Duarte, uma “divergência no diagnóstico” e na “visão moderna, de progresso que não se faz com mais betão”.
“Temos mais de 20 mil casas desabitadas, chega de densidade de prédios, de confusão, de poluição, de ruído”, afirmou o social-democrata para quem basta de betão e a solução passe por “reabilitar, ativar o mercado de arrendamento e estimular o aproveitamento dessas casas” com apoios ao jovens e jovens casais, “mas não precisamos de mais gente na cidade (…) já temos demasiada confusão concentrada”
Sérgio Aires (BE) começou por destacar a ausência do candidato Filipe Araújo, número dois do atual presidente Rui Moreira, o que lamentou por não poder “confrontá-los com os 12 anos” de governação. Quanto à habitação, “não é um problema de 2025, isto agravou-se porque não fizemos nada”.
Números da segurança vs percepções
Se para a CDU, a segurança é carta fora do programa porque o “Porto não tem números que comprovem essa insegurança”, ainda assim são os sentimentos e perceções apontam para a necessidade de “mais efetivos quer na PSP, quer na Polícia Municipal”, bem como um policiamento de proximidade.
Para o Chega, a explicação para os números prende-se com um facto: se “temos menos esquadras, é evidente que é mais difícil as pessoas fazerem ocorrências”, e “o turismo também gera problemas”. Miguel Corte-Real concorda que são necessários mais polícias, e sugere que a taxa turística sirva para também “melhorar a vida dos agentes".
Já no programa do PS há mais de dez medidas sobre a segurança, entre as quais policiamento de proximidade e visibilidade, uma articulação entre polícias, para colocar “todos os recursos” na rua, e aumentar a videovigilância.
Mas quis Pizarro retomar o tema da Habitação para criticar o principal adversário, Pedro Duarte, dizendo que há menos portuenses a viver na cidade e que "quer fazê-los regressar". Na resposta, o candidato ‘laranja’ lançou para a mesa a acusação do “velho PS despesista descontrolado” e até ao tempo de José Sócrates recuou. "Como é que se vê que um candidato do PSD está mesmo desesperado num debate? Quando invoca o governo Sócrates”, contra-atacou Pizarro.
Terminado o bate-boca a dois, Pedro Duarte prosseguiu prometendo mão firme contra a criminalidade: “Para mim, a segurança é a prioridade das prioridades, sem tranquilidade todas as outras políticas são afetadas”, afirmou, prometendo “prioridade absoluta e mão firme" mas também mais polícia, videovigilância, iluminação pública e limpeza.
Para Sérgio Aires, as perceções faladas “têm sido trabalhadas para criar alarme”, sustentando que os números da criminalidade em 2012 era elevados e “ninguém largou as vestes”. Acontece que, “PS e PSD não fizeram nada e agora vem aqui parece que não têm nenhuma responsabilidade”, mas o “grande crime da cidade é o crime rodoviário, desse que ninguém fala”.
Mobilidade: como pôr a andar o MetroBus?
Se para a candidata da coligação PCP/PEV, a mobilidade “é um dos problemas estruturais” da cidade do Porto, a solução passa por uma “rede articulada entre metro, ferrovia, autocarros”, com o reforço do STCP, mais frequência de autocarros e mais vias de Bus, mas também por uma regulamentação dos TVDEs semelhante a que têm os táxis. Quanto ao MetroBus que, assinalou, contou desde logo com uma “posição crítica da CDU”, é agora necessário “envolver todos na discussão, avaliar novas utilizações, e pôr [o projeto] a andar”.
“Este [a mobilidade] é um grande problema que afeta diariamente a vida das pessoas, isto acontece por má gestão e planeamento”, destacou o candidato do Chega, defendendo que “antes de outras estratégias, temos de olhar para os pequenos problemas” como a mudança para Gondomar do mercado abastecedor que vai, garantiu Miguel Corte-Real, “retirar milhares de carros da VCI, não resolve, mas ajuda”.
Uma ideia que pareceu “belíssima” a Pizarro que prometeu aproveitar se for eleito. Quanto ao Metro Bus, o socialista entende que os 80 milhões investidos não devem ser deitado fora, pelo que quer pô-lo “em funcionamento e ver como corre”. À parte disso, promete manter a gratuitidade até aos 24 anos e reforçar o transportes públicos com “mais metro e mais autocarros”.
“O Metro Bus é um desastre que foi usado para efeitos políticos”, disse Pedro Duarte, que defende uma gratuitidade mais alargada, estacionamento pago por não residentes na Invicta, o fim das portagens na CREP (A41), e portajar pesados que atravessam a cidade.
Depois de uma troca mais acesa de palavras entre os ex-ministros Pedro Duarte e Manuel Pizarro, que inluiu o diretor de comunicação da campanha do socialista, Sérgio Aires (BE) quis “acabar com a novela” e recuperar o tema da mobilidade, acusando o adversário do PSD de querer “uma cidade elitista como o PSD gosta, onde os pobres não vivam”.
As soluções, prosseguiu, passam por uma “progressiva gratuitidade, transportes píblicos que respeitem os horarios, mais faixas Bus”, elencou. Quanto à mudança do mercado abastecedor, "tenho a perceção porque vivo lá ao lado de que nem 1% dos pesados que circulam na VCI vai para o mercado abastecedor, e tirar dali uma mais-valia para a cidade não faz sentido nenhum, sobretudo para reduzir o trânsito na VCI.