Eleições Autárquicas

Chega impõe condição ao Governo para aprovar lei de estrangeiros: "Se não concordar, não temos acordo"

O líder do Chega, André Ventura, impôs como condição para aprovar a nova lei da imigração que os imigrantes tenham, no mínimo, cinco anos de descontos antes de poderem aceder a apoios sociais.

O presidente do Chega, André Ventura (C), à chegada para participar numa ação de campanha do candidato do Partido à presidência da Câmara Municipal de Alenquer, no âmbito das próximas eleições autárquicas do dia 12 de outubro, em Alenquer, 29 de setembro de 2025.
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O líder do Chega, André Ventura, classificou o secretário-geral do PSD, Hugo Soares, como "um lacaio qualquer" do líder do seu partido e acusou-o de ter ameaçado deputados da sua bancada. 

André Ventura falava aos jornalistas em Alenquer, no distrito de Lisboa, à chegada a uma ação da pré-campanha para as eleições autárquicas de 12 de outubro, depois de questionado sobre declarações do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que acusou o Chega de ter "candidatos 'fake' às autárquicas, que não conhecem os concelhos a que concorrem. 

Ventura impõe condição para aprovar lei de estrangeiros

O presidente do Chega colocou no mesmo dia como condição para um acordo em torno da lei de estrangeiros que a nova legislação estipule que os imigrantes tenham de ter cinco anos de descontos para poderem receber apoios sociais: "Apelo ao primeiro-ministro para este ponto absolutamente sensível. Concorda ou não que os imigrantes que chegam a Portugal têm que ter pelo menos cinco anos de descontos até poderem ir buscar subsídios à Segurança Social", questionou.

E deixou um aviso: "Se não concordar, não temos acordo. Porque para nós este é um ponto decisivo".

"Nós estamos, infelizmente, à beira de não ter uma lei de estrangeiros", sustentou, comentando de seguida: "se é uma lei de estrangeiros que não impõe limites aos estrangeiros entrarem em Portugal, se podem entrar quase de qualquer maneira" e se "também não têm que mostrar os meios que têm, nem os meios económicos que dispõem para não beneficiar da Segurança Social", poderá dar-se "o pior efeito chamada que é possível numa lei de imigração".

"Nós não podemos ter imigrantes em Portugal que tenham que beneficiar da segurança social. Uma coisa é no futuro virem a precisar de Segurança Social, como qualquer cidadão, outra coisa é quando chegam cá já virem na cabeça com a ideia de beneficiar da Segurança Social", argumentou.

O líder do Chega indicou que existiram "negociações e conversações entre o Chega e o PSD ao longo do fim de semana", mas ainda "não há consenso ainda sobre a lei de estrangeiros", porque os sociais-democratas "parecem recusar" uma proposta do seu partido para limitar a atribuição de apoios aos imigrantes que tenham pelo menos cinco anos de contribuições.

André Ventura disse que o Chega já recuou "em muita coisa" e apelou ao PSD e ao Governo que façam o mesmo nesta questão para ser possível um acordo até ao final do dia, uma vez que as alterações a este diploma serão reapreciadas pelo parlamento na terça-feira de manhã

- Com Lusa