Eleições Autárquicas

Bloco acusa Governo de usar imigração para "desviar a atenção dos problemas" na saúde e habitação

No arranque da 'volta' autárquica do partido, Fabian Figueiredo o Governo de ceder à "agenda populista da extrema-direita" e de usar a imigração como forma de desviar atenções dos problemas que há, por exemplo, nos setores da habitação e da saúde.

Bloco acusa Governo de usar imigração para "desviar a atenção dos problemas" na saúde e habitação

O dirigente do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo acusou, esta terça-feira, o Governo de ceder à "agenda populista da extrema-direita" e de usar a imigração como forma de desviar a atenção dos problemas na saúde e habitação.

"Sempre que há eleições em Portugal, o PSD quer discutir as leis de imigração, não quer discutir a saúde, que está num caos, nem a habitação, onde as medidas anunciadas são um insulto aos portugueses", defendeu à Lusa Fabian Figueiredo, em Torres Novas, distrito de Santarém.

No arranque da 'volta' autárquica do partido, ao lado da candidata à presidência da Câmara Municipal de Torres Novas, a ex-deputada Helena Pinto, Fabian Figueiredo reiterou a defesa de uma política migratória "que garanta que as pessoas entram de forma regular, que acolhe e que integre".

Estas declarações surgem no dia em que PSD e CDS garantiram a aprovação na generalidade, especialidade e final global das suas alterações ao decreto da lei de estrangeiros - diploma proveniente do Governo, mas que chumbou no Tribunal Constitucional em agosto passado.

A garantia da viabilização foi dada pela deputada do Chega Cristina Rodrigues, que considerou "suficiente" o texto final da lei de estrangeiros, com as alterações propostas por PSD/CDS, mas avisou que o seu partido quer ir mais longe em matéria de imigração.

Fabian Figueiredo acusou PSD e Chega de se terem unido no passado para aprovar "uma lei de estrangeiros cruel, chumbada pelo Tribunal Constitucional porque violava os mais elementares direitos humanos", tendo defendido que "o reagrupamento familiar é essencial".

O diploma "promovia a separação familiar, uma crueldade absurda que só podia merecer o chumbo em qualquer país democrático" e que, em vez de combater a imigração irregular, “acabava por a incentivar”, salientou.

Para o dirigente bloquista, o Governo cedeu "à agenda populista da extrema-direita" mudou de posição sobre o reagrupamento familiar "não porque a realidade tenha mudado, mas por conveniência eleitoral".

"Hoje, na Assembleia da República, o Bloco voltará a mostrar ao país qual deve ser a política migratória a desenvolver: garantir entradas regulares, acolher e integrar, com o reagrupamento familiar como peça central", declarou.

Campanha do BE arrancou em Torres Novas

O Bloco de Esquerda iniciou esta terça-feira em Torres Novas, a volta nacional das autárquicas, marcando o arranque oficial da campanha para as eleições de 12 de outubro.

Fábian Figueiredo destacou a escolha de Torres Novas como ponto de partida, elogiando a candidata Helena Pinto como "uma das mais preparadas" e sublinhando que a sua candidatura representa "uma onda de mudança e esperança".

A nível nacional, o dirigente frisou que o partido apresenta "dezenas de candidaturas fortes, muitas com independentes", com o objetivo de construir "uma alternativa solidária e progressista" às direitas e de responder a problemas centrais como habitação, transportes e saúde.

Helena Pinto, candidata do BE à Câmara de Torres Novas, afirmou à Lusa que o arranque da volta nacional no concelho é um "sinal do empenho" do partido nas autárquicas.

Tendo garantido estar "muito confiante", a candidata destacou algumas das propostas para responder a problemas locais, como a criação de uma creche pública, o reforço das bolsas de estudo até aos mestrados para fixar jovens no concelho, e soluções para habitação, área em que acusou o PS de falhar.

A partir de quinta-feira, será a dirigente do BE Marisa Matias quem vai substituir a coordenadora nacional e deputada única do partido na campanha para as autárquicas até Mariana Mortágua regressar da viagem da flotilha internacional que se dirige a Gaza com ajuda humanitária.

A campanha para as eleições autárquicas de 12 de outubro, que teve hoje o seu início oficial, termina a 10 de outubro, dia da entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2026.