Eleições Autárquicas

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"Como me convenceria, em 15 segundos, a votar em si?" O desafio de um jovem a mais de 100 candidatos autárquicos

Esta é a pergunta que Lourenço Ribeiro está a fazer aos candidatos aos 14 municípios mais populosos. A ideia é captar a atenção dos mais jovens mas, sobretudo, das pessoas “que não ligam nada a política” e a “políticos de fato e gravata”. Mas quem é este jovem de 19 anos que está a lançar um vídeo por dia no Instagram e TikTok até à véspera das eleições? A SIC Notícias foi conhecê-lo.

"Como me convenceria, em 15 segundos, a votar em si?" O desafio de um jovem a mais de 100 candidatos autárquicos
SIC Notícias

Lourenço fez um acordo com os pais. Não ia de férias no verão e usaria o dinheiro no novo projeto que já tinha em mente. “Queria fazer algo que tivesse impacto e me desse visualizações" e a política foi o caminho escolhido, mas não por acaso: “Comecei por experimentar vários tipos de conteúdos, mas aqueles que eram relacionados com política tiveram mais visualizações”.

A ideia não é original, reconhece, "há muitos vídeos nas redes com pessoas a entrevistar pessoas” mas “com perguntas que não acrescentam nada, não trazem valor à vida das pessoas”. Lourenço queria dar “alguma coisa com substância a quem não vê nada relacionado com política”, queria mostrar os candidatos a essas pessoas e, por outro lado, desafiar os políticos a dizerem, em segundos, porque deviam votar neles.

Mas porque, como o próprio diz à SIC Notícias, “nada é fácil mas tudo é simples”, Lourenço pôs mãos à obra e com a agilidade de quem domina as novas tecnologias depressa chegou ao contacto com a maioria dos mais de 100 candidatos aos 14 municípios com maior densidade populacional - Guimarães, Gondomar, Seixal, Oeiras, Matosinhos, Amadora, Almada, Braga, Loures, Cascais, Porto, Gaia, Sintra e Lisboa -, e até contou a ajuda de alguns, que lhe deram o contacto de adversários. Ainda assim, alguns (poucos) ficaram pelo caminho.

“Foi, sem dúvida, mais fácil chegar aos [nomes] grandes” como Carlos Moedas ou Alexandra Leitão, do que, por exemplo, a candidatos do Partido Liberal Social, um partido recente e que Lourenço até gostava de ter tido a hipótese de conhecer melhor, e seria uma “oportunidade excelente de se mostrarem e marcarem presença numa página que vai ter muitas visualizações”.

Feita a pergunta e dada a resposta, eram muitas vezes os candidatos que questionavam: “Convenci-te?” E aí Lourenço deixava os candidatos ainda mais intrigados: “Não voto aqui”. Vota em Coimbra, cidade de onde é natural e o 16.º concelho mais populoso, e que por isso ficou de fora dos vídeos.

"Muitos pensaram que só estava a fazer isto para o município deles" mas “quando explicava o meu projeto, não se mostravam nada arrependidos. E, na verdade, para eles é sempre visibilidade positiva”. E para Lourenço também.

“Quero ter a minha empresa quando terminar a faculdade e para isso não é preciso ter uma média alta. (…) Tenho várias ideias para a minha empresa e é por causa disso que surgiu esta questão de criar o meu canal”

E tudo foi pensado ao pormenor, não fosse Lourenço um futuro gestor. A opção de o canal ser o seu nome não foi por acaso: “Os grandes criadores do conteúdo têm quase todos o nome, o nome aproxima”.

Aluno de excelência com o dom da comunicação

À SIC Notícias, Lourenço contou que terminou o ensino secundário com média de 19,89 valores. Escolheu seguir Gestão na Universidade Nova SBE e, agora, decidiu lançar-se neste desafio, aparentemente, ‘fora de pé’: a comunicação.

É ele quem faz o contacto com os candidatos, a (já famosa) pergunta, a edição dos vídeos e a gravação pede, sem problemas, a quem passa por ele, naquele momento, para fazê-la. Já teve algumas negas, mas nem por isso deixou de conseguir o que queria.

E os estudos? Como é feito o equilíbrio entre as aulas e as agendas de mais de 100 candidatos?

“Não equilibro, não sou nada bom nisso. Quando estava em casa dos pais andava tudo direitinho, agora a minha vida está uma desorganização total porque sou eu a geri-la. Estou um bocado tramado”, reconhece, mas agora o foco é “criar os conteúdos, terminar a série e depois focar na escola. Levo isto por fases”.

Sabe que não é fácil convencer os pais de que este é um bom caminho a seguir, ou pelo menos aquele que ele para já, com 19 anos, quer seguir. Ainda assim, está confiante: “Quase ninguém termina a faculdade com vídeos significativos e uma marca pessoal".

'A ferramenta’ e as dicas aos políticos

Só teve conta no Instagram no final do 9.º ano e depressa percebeu que as redes sociais “não acrescentam nada a quem só ‘as consome’ mas a quem cria conteúdo, sim”.

“As redes sociais são um problema da nossa sociedade e estou a publicar conteúdos lá. Mas isto é só início, a ideia depois é expandir para fora delas” até porque são pensadas para serem “o mais viciante possível para o cérebro humano. (…) O que quero é construir a minha comunidade e a partir daí arrancar. O próximo passo são as eleições presidenciais, e depois logo se vê".

O seu voto nas eleições autárquicas “está há muito decidido”, até lá acredita que pode continuar a fazer a diferença.

“Há muita gente que não está nem aí para a política, não vê nem lê nada, e está mais no TikTok, no Instagram. E se por lá virem alguma coisa sobre política é mais valioso, é positivo", além disso ”quero mostrar à malta da minha idade que conseguimos fazer tudo, nada é fácil mas tudo é simples”.

Também aos políticos, Lourenço Ribeiro está a dar uma lição de redes sociais: “Falar de fato para uma câmara e apresentar medidas são conteúdos pouco viciantes, as pessoas tendem a passar à frente, os vídeos que eu faço podem fazer a diferença neste ponto porque acrescentam valor".

Mariana Mortágua, André Ventura e Rui Rocha são políticos, considera, que já perceberam como chegar ao eleitorado mais jovem e como captar a atenção nas redes sociais: “Estar com roupa normal a tomar um café” ou falar da polémica do momento “não são vídeos básicos, são apelativos e as pessoas veem até ao fim”.

Fica a dica de um jovem eleitor de 19 anos.