As eleições autárquicas de domingo voltaram a registar uma prevalência de executivos municipais com maioria absoluta, mas, em paralelo, verificou-se que a tendência para a fragmentação política está lentamente a ganhar terreno, sobretudo nos maiores centros urbanos.
Quando faltavam apenas contabilizar os resultados em cinco dos 308 concelhos do país, tinham sido alcançadas 233 maiorias absolutas em executivos camarários, dos quais apenas uma do Chega, seis da CDU, oito de movimentos independentes e cinco do CDS.
PSD e PS ultrapassaram cada um mais de uma centena de maiorias absolutas, alcançadas principalmente em municípios menos populosos do território nacional, onde tradicionalmente se verifica uma bipolarização política entre socialistas e sociais-democratas.
Antes destas eleições autárquicas, vários analistas políticos anteciparam que a fragmentação política seria bem maior, sobretudo em resultado de uma suposta entrada em força do Chega no mapa autárquico. Mas isso não aconteceu.
O partido de André Ventura conquistou apenas três câmaras em todo o território nacional e esteve longe de disputar presidências de câmaras na maiorias dos municípios. Por outro lado, a CDU manteve uma tendência de recuo gradual no sul do país.
Apesar de continuarem a prevalecer as maiorias absolutas nos executivos municipais, este tipo de configuração política apresenta alguns indícios de estar a diminuir, sobretudo nas cidades.
Nas eleições autárquicas de 2021, registaram-se 258 maiorias absolutas, das quais 125 do PS e 103 de coligações lideradas pelo PSD. E caso se recue às eleições autárquicas de 2017 o peso das maiorias absolutas era ainda maior: 274 em 308 municípios. Agora, são 233.
Em cidades como Lisboa, Porto, Sintra, Almada, Braga ou Setúbal, entre outras, os partidos vencedores terão de gerir as respetivas câmaras em situação de maioria relativa, obrigando a entendimentos entre partidos.
Atendendo à evolução dos resultados em eleições autárquicas, o fenómeno da fragmentação política, que caracteriza a Assembleia da República desde as legislativas de 2024, indicia que pode estar a avanças nos maiores centros urbanos, mas não tanto nas cidades mais pequenas ou nas vilas.

