Brexit

Jeremy Corbyn diz que suspensão do Parlamento britânico"é inaceitável"

Henry Nicholls

"O que o primeiro-ministro está a fazer é uma espécie de assalto à democracia para forçar uma saída da União Europeia sem acordo."

O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, afirmou esta quarta-feira que a decisão do primeiro-ministro de suspender o parlamento até 14 de outubro "não é aceitável" e que Boris Johnson "tem de responder perante o parlamento".

"Protestei nos termos mais fortes em nome do meu partido e de todos os outros partidos que vão unir-se para dizer que suspender o parlamento não é aceitável", disse Corbyn numa declaração a vários 'media'.

"O que o primeiro-ministro está a fazer é uma espécie de assalto à democracia para forçar uma saída da União Europeia sem acordo. De que tem ele tanto medo para suspender o parlamento e impedir o parlamento de discutir estas questões?", questionou.

Corbyn disse que a primeira coisa que o Partido Trabalhista vai fazer, quando o parlamento voltar a reunir, a partir de terça-feira, é apresentar legislação para impedir a suspensão e, depois, desafiar o primeiro-ministro "com uma moção de confiança em algum momento".

"É um escândalo constitucional", disse, para concordar com o que foi afirmado pelo presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, em reação à decisão do primeiro-ministro.

"O primeiro-ministro tem de responder perante o parlamento", assegurou.

O líder trabalhista disse ainda que escreveu à rainha Isabel II para protestar contra a decisão de Boris Johnson, tendo sustentado na missiva que existe "um perigo que a prerrogativa real esteja a ser utilizada diretamente contra a vontade da maioria na Câmara dos Comuns", que por duas vezes votou contra uma saída do Reino Unido da UE sem acordo.

O primeiro-ministro britânico anunciou hoje que o Parlamento vai ser suspenso durante a segunda semana de setembro e até 14 de outubro, duas semanas antes da data prevista para o 'Brexit', a 31 de outubro.

Para o líder do Partido do Brexit, Nigel Farage, a decisão de Johnson torna uma moção de confiança "certa agora", "uma eleição geral mais provável" e "é vista como uma iniciativa positiva pelos apoiantes do 'Brexit'".

"A pergunta por responder é se Boris Johnson tenciona prosseguir com o acordo de saída. Se o fizer, o Partido do Brexit vai combatê-lo o tempo todo. Mas se agora ele quiser um 'Brexit' limpo, gostávamos de o ajudar a garantir uma grande maioria numa eleição geral", escreveu Farage na rede social Twitter.

Lusa