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“Planear o próprio funeral pode mesmo ser altruísta”

Falar sobre a morte continua a ser um tabu, mesmo sendo a única certeza da vida. A médica Margarida Graça Santos propõe uma conversa franca sobre o tema, com a convidada Marta D’Orey.

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Falar da morte nunca é fácil, mas pode ser uma forma de olhar com mais atenção para a vida. Sendo a morte a única certeza comum a todos, porque continua a ser um assunto evitado e quase sempre empurrado para o silêncio? 

Para descomplicar este assunto e torná-lo um pouco menos pesado, Margarida Graça Santos convidou a amiga e produtora de eventos que a fez perceber que pensar sobre a morte é tão pertinente quanto pensar sobre a vida, Marta D'Orey.

“Planear o próprio funeral pode mesmo ser altruísta”, é a opinião de Marta D’Orey, diagnosticada em 2020 com um problema oncológico grave e que tem enfrentado um processo complexo de luta contra a doença.

Marta D’Orey acredita que possa surgir um milagre, uma descoberta na Medicina, que seja a cura para a doença de que sofre. Apesar dessa esperança, fala também da morte que inevitavelmente tem de encarar e da importância dos cuidados paliativos.

“Os paliativos dão dignidade à morte, é heroico, mas mal se fala sobre isso”, sublinha Marta, que defende também a importância de fazer um testamento vital.