Coronavírus

Bruxelas pede medidas para garantir liquidez das empresas em resposta ao coronavírus

MOURAD BALTI TOUATI

Paolo Gentiloni considerou que a epidemia do novo coronavírus "deveria ser uma chamada de atenção" para que os países europeus coordenem as suas políticas orçamentais.

Especial Coronavírus

O comissário Europeu da Economia, Paolo Gentiloni, disse esta quinta-feira que os países da União Europeia terão de implementar medidas para garantir a liquidez das empresas, especialmente as pequenas e médias, em resposta ao surto do novo coronavírus.

"Trabalharemos com os nossos Estados-membros e com os nossos parceiros internacionais para estar na primeira linha dos acontecimentos. As medidas de política económica têm que ser implementadas no momento adequado, nem demasiado cedo nem demasiado tarde", disse esta quinta-feira o responsável italiano num encontro com a confederação patronal europeia BusinessEurope.

Na mesma ocasião, citado pela agência Efe, Paolo Gentiloni considerou que a epidemia do novo coronavírus, que causa a doença Covid-19, "deveria ser uma chamada de atenção" para que os países europeus coordenem as suas políticas orçamentais.

O responsável europeu lembrou que as normas comunitárias permitem que os países se desviem dos seus objetivos do défice caso sejam obrigados a responder a eventos extraordinários.

O surto serviu "para redescobrir a importância do multilateralismo para enfrentar riscos globais", salientou Gentiloni.

O comissário europeu referiu que serão necessárias medidas especialmente para os setores "mais afetados", que segundo Bruxelas serão o turismo e os transportes.

Esta semana, tanto os ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) como os do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) estiveram de acordo com coordenar a sua resposta face à epidemia, mostrando-se dispostos a utilizar medidas orçamentais, caso seja necessário, mas sem indicar medidas concretas.

Os números do coronavírus

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou cerca de 3.300 mortos e infetou mais de 95 mil pessoas em 79 países, incluindo nove em Portugal.

Das pessoas infetadas, mais de 50 mil recuperaram.

Além de 3.012 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas, San Marino, Iraque, Suíça e Espanha.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para "muito elevado".