Coronavírus

Coronavírus: pais devem explicar situação às crianças sem criar ansiedade

Vincent West

"O melhor é sempre dizer a verdade, não vale a pena inventar grandes histórias", disse uma especialista em psicologia infantil.

Especialistas consultados pela Lusa afirmam que conversar com as crianças sobre o novo coronavírus e os cuidados que devem ter é importante, mas os pais devem dar informações que elas consigam compreender para não criar ansiedade.

Numa altura em que várias escolas encerraram para prevenir a disseminação do novo coronavírus e no dia em que o Conselho Nacional de Saúde Pública se reúne para ponderar a antecipação das férias escolares da Páscoa, a Lusa ouviu uma psicóloga e um pediatra sobre o modo que os pais devem adotar para abordar o tema junto das crianças.

"O melhor é sempre dizer a verdade, não vale a pena inventar grandes histórias", considerou Joana Sarmento Moreira, especialista em psicologia infantil, alertando que também é importante "não entrar em grandes detalhes" para evitar ansiedades.

Segundo a psicóloga, as crianças conseguem perceber que, à sua volta, as pessoas estão preocupadas e, por isso, os pais devem ser diretos e honestos, explicando que existem certas medidas preventivas que todos devem seguir.

Maria do Carmo Vale, pediatra, concorda que esta é uma doença que deve ser explicada aos mais novos, mas "dentro das suas possibilidades de entendimento".

"É importante que se explique que neste momento há um agente infeccioso que está a passar de pessoa para pessoa de uma maneira um bocadinho mais acelerada do que é normal", sublinhou, acrescentando que, nos casos das escolas encerradas, os pais devem transmitir às crianças que essa é uma medida preventiva, para garantir a sua segurança.

Sobre os cuidados especiais que as pessoas devem ter, designadamente os cuidados de higiene e de etiqueta respiratória, a pediatra acredita que as crianças, de uma maneira geral, já estão "muito bem ensinadas".

"Assisto muitas crianças que vêm às consultas e quando tossem encostam sempre a boca ao antebraço", conta a pediatra, sublinhando que esse é um hábito que já está muito interiorizado.

Maria do Carmo Vale considera que, mesmo assim, é muito importante que os pais reforcem a importância destes cuidados, chamando igualmente a atenção para o contacto com os outros, em particular nos casos de crianças que têm irmãos mais novos. "Deve-se explicar que existem outras formas de demonstrar carinho e que não se devem dar muitos beijinhos", refere.

Segundo as especialistas, o discurso dos pais deve adaptar-se às diferentes idades e se com as crianças os pais devem evitar determinadas conversas sobre o Covid-19 e evitar assistir e comentar as notícias junto dos mais novos, Joana Sarmento Moreira aconselha um diálogo mais aprofundado com os jovens.

"Os mais velhos já acompanham muito a comunicação social, e alguns podem não compreender o que se está a passar e achar que está a haver excesso de zelo", admitiu a psicóloga, considerando que os pais devem explicar, o melhor possível, a situação e alertar para a incerteza que ainda existe em torno do novo coronavírus, ajudando-os também a selecionar aquilo que é ou não verdade entre a grande quantidade de informação a que têm acesso.

Joana Sarmento Moreira sublinhou também a necessidade de alertar os jovens para o papel que têm na sociedade e para a necessidade de seguirem todas as indicações das autoridades de saúde, referindo-se, por exemplo, ao encerramento de escolas e à importância de respeitar o isolamento social.

Até ao momento, foram encerrados todos os estabelecimentos de ensino nos concelhos de Felgueiras e Lousada, duas em Portimão e na Amadora, além de outros estabelecimentos no ensino privado.

O Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP) tem prevista para hoje à tarde uma reunião para discutir medidas de contenção do surto de Covid-19, como a possibilidade de antecipação das férias escolares da Páscoa.

Os números de coronavírus

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.300 mortos em 28 países e territórios.

O número de infetados ultrapassou as 120 mil pessoas, com casos registados em 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 59 casos confirmados.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou hoje o número de infetados, que registou o maior aumento num dia (18), ao passar de 41 para 61.

  • A árdua experiência com a sustentabilidade 

    Mundo

    E se alguém lhe dissesse que passaria a viver num quarto, com eletricidade apenas para pequenos utensílios domésticos, sem aquecimento central, ar condicionado ou água quente. Teria apenas três conjuntos de roupa, sem máquina de lavar ou secar, faria dieta local sem produtos de origem animal e não andaria de automóvel nem de avião?

    Opinião

    João Abegão