Coronavírus

Por estes dias #dia1

ANTÓNIO COTRIM

Emergência de Estado

Especial Coronavírus

Estranha forma de vida.

Já estive em países em estado de emergência. Por causa de guerras ou receio de invasões.

Sei o que são ruas desertas, serviços mínimos, contolo militar, proibição de sair à rua.

Felizmente, esta profissão permite alguma circulação.

O estado de emergência é semelhante a um estado de guerra.

Costa e Marcelo, ainda ontem - bem sei que a cada dia a situação muda e há que fazer adaptações -diziam que os portugueses estão a cumprir, estão serenos, são responsáveis e que a maturidade cívica merece aplausos.

Ainda ontem.

Hoje, aparentemente, a política encaminha-se para declarar o estado de emergência.

Sendo a pandemia uma emergência de Estado, não me parece que seja caso para decretar (já) o estado de emergência.

Se, como nos asseguram, o pico da pandemia só chegar em maio - faltam dois meses - parece-me que a medida mais gravosa de privação de direitos liberdades e garantias está a ser equacionada cedo demais.

Não estaremos a dar oportunidade à sociedade civil de fazer o auto-isolamento, o auto controlo, a liberdade de fazer bem sem ser obrigado.

Estamos a dar um sinal num dia e o seu contrário 72 horas depois.

A desconfiar da nossa capacidade de auto regulação.

A obrigar os cidadãos a fazer algo que aparentemente e na grande maioria estão a fazer de forma voluntária, consciente e com elevado sentido cívivo.

Esta emergência de Estado merece que o Estado nos dê uma oportunidade.

E, se falharmos como sociedade, se não estivermos à altura, se precisarmos mesmo de decretos para nos comportarmos bem, então que seja declarado o tal estado de emergência.

(Pedro Cruz escreve de casa, onde estará nos próximos sete dias)