Coronavírus

A resposta dos bancos centrais à pandemia de Covid-19

ARMANDO BABANI

Conheça as medidas financeira anunciadas pelos bancos de todo o mundo.

Especial Coronavírus

Bancos centrais de todo o mundo anunciaram nos últimos dias várias medidas de apoio à economia numa altura em que esta se encontra paralisada pela pandemia de Covid-19.


BCE

Ao contrário da Reserva Federal (Fed), banco central norte-americano, o Banco Central Europeu (BCE) deixou até agora as suas taxas de juro inalteradas. Na reunião de política monetária do passado dia 12, a instituição optou por anunciar novos empréstimos alargados aos bancos com condições muito favoráveis e incitá-los a apoiar a economia real, em particular as pequenas e médias empresas, para evitar uma vaga de falências.

Na terça-feira, foi concedida liquidez aos bancos num valor superior a 100 mil milhões de euros, na primeira de 13 operações de refinanciamento previstas até meados de junho.

Mas, na quarta-feira, a instituição liderada por Christine Lagarde recorreu a medidas mais poderosas, exigidas pelos mercados e pelos governos europeus e anunciou, após uma teleconferência excecional, um programa de 750 mil milhões de euros de compra de dívida pública e privada a realizar até ao fim do ano para travar os efeitos económicos da pandemia.

O BCE indicou que a compra de dívida será feita "de forma flexível", o que sugere que pode optar por títulos de dívida soberana em dificuldades, como os de Itália.


Estados Unidos

O banco central norte-americano, que tem anunciado sucessivas medidas, comunicou na terça-feira que vai conceder facilidades de crédito a empresas e famílias num esforço de conter o impacto económico da pandemia de coronavírus nos Estados Unidos.

O objetivo é impedir dificuldades no reembolso dos empréstimos.

Em comunicado, a Fed explicou que criou uma nova linha de financiamento de créditos de curto prazo, uma medida utilizada pela última vez durante a crise financeira de 2008.

No domingo, a Fed já tinha anunciado um inesperado corte das taxas de juro para zero, a segunda descida dos juros desde o início do mês.

A Fed, o BCE e os bancos centrais do Japão, Reino Unido, Canadá e Suíça facilitaram também as condições em que trocam divisas, para garantir que existe no mercado liquidez suficiente em dólares.

Do lado da administração norte-americana, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, continua a negociar um programa gigantesco de relançamento económico, numa altura em que o Congresso aprovou medidas sociais no valor de 100 mil milhões de dólares.

As iniciativas contemplam o envio de dois cheques de mil dólares a muitos norte-americanos, apoio às pequenas empresas e 150 mil milhões para outros setores frágeis, como o turismo e a hotelaria, segundo o jornal Washington Post.


China


O banco central chinês, que desbloqueou no final de fevereiro alargamentos e renovações de empréstimos às empresas, anunciou na sexta-feira passada uma descida na exigência de reservas obrigatórias dos bancos, libertando 550 mil milhões de yuans (70,6 mil milhões de euros) para apoiar a economia, depois de ter adotado uma medida idêntica no início de janeiro, injetando então 100 mil milhões de euros na economia.


Reino Unido

O Banco de Inglaterra anunciou hoje uma descida nas taxas de juro de 0,25% para 0,1%, um mínimo histórico e um aumento do programa de estímulos para 645.000 milhões de libras (700.000 milhões de euros).

Após uma reunião de emergência, a entidade indicou que as medidas são necessárias para sustentar a economia face ao "impacto" causado pela pandemia de coronavírus, que pode ser "pronunciada e longa".

Após outras medidas anunciadas no passado dia 11, o Banco de Inglaterra, liderado agora por Andrew Bailey após a saída de Mark Carney, aprovou por unanimidade um corte de 15 pontos base nas taxas de juro, para um mínimo histórico de 0,1%.

Foi também decidido aumentar em 200.000 milhões de libras (217.000 milhões de euros) a dotação do programa de compra de dívida pública e privada, fixando-o agora em 645.000 milhões de libras.

No dia 11 de março, o Banco de Inglaterra já tinha aprovado uma redução das taxas de juro de 0,75% para 0,25% (o nível mais baixo desde 2016), numa ação coordenada com o Governo que revelou um programa de estímulos de 30.000 milhões de libras (quase 33.000 milhões de euros) para facilitar a liquidez a empresas e famílias.

Canadá

O Banco do Canadá também anunciou uma descida de meio ponto percentual na sua taxa de juro diretora, o primeiro corte desde 2015.


Japão

O Banco do Japão reforçou a sua política de compra de ativos. Antes, o país já tinha desbloqueado um pacote de 13,4 mil milhões de euros para conceder empréstimos sem juros às pequenas e médias empresas.


Austrália

O banco central da Austrália reduziu hoje a sua principal taxa de juro em um quarto de ponto percentual, fixando-a em 0,25%, um mínimo histórico. Foram ainda anunciadas medidas de compra de dívida, de apoio ao setor bancário e às pequenas e médias empresas.

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