Coronavírus

Brasil ultrapassa os 1.100 casos e regista 18 mortos pelo novo coronavírus

Ricardo Moraes

Especial Coronavírus

O Brasil contabilizou hoje mais de 1.100 casos de infeção e 18 mortos devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus, anunciou o Ministério da Saúde brasileiro em conferência de imprensa.

No total, 1.128 pessoas foram diagnosticadas com covid-19, estando a maioria nos estados de São Paulo (459) e Rio de Janeiro (119).Estes dois estados concentram também todas as vítimas mortais pela doença do novo coronavírus, tendo São Paulo registado 15 mortos e o Rio de Janeiro os restantes três.

Os números representam um aumento face ao balanço apresentado na sexta-feira pelo ministro da Saúde, que registavam 11 mortos e um total de 904 infeções.O estado de Roraima é agora o único sem casos registados, depois de o Maranhão ter anunciado o seu primeiro caso de infeção.Durante a conferência de imprensa, o secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, anunciou também que o Brasil vai deixar de apresentar o número de casos suspeitos, justificando a decisão com o aumento da transmissão comunitária.Da mesma forma, o responsável acrescentou que "qualquer brasileiro" que apresentar sintomas gripais "será considerado suspeito"."Não faz mais sentido relacionar a viagens a países contaminados", vincou João Gabbardo dos Reis.O secretário executivo assinalou também que o Brasil tem pedido ajuda a vários países, assim como tem recebido pedidos de países mais afetados, nomeadamente da Itália, que solicitou ventiladores às autoridades brasileiras."Vamos fazer uma parceira com Itália. Nós vamos fornecer aquilo que a Itália nos está a pedir -- esperamos que Itália possa rapidamente resolver e começar a ter uma redução do seu número de casos -- e provavelmente a Itália possa atender o Brasil mais adiante, quando nós possamos estar numa situação de maior gravidade que aquela que temos hoje", disse.Questionado sobre o estado da curva epidemiológica no Brasil, o secretário executivo assumiu que o Brasil está "muito longe da curva da Coreia [Notes:do Sul] ", mas sim "um pouco acima da Alemanha e abaixo da Itália".Na conferência de imprensa foi abordada a utilização de cloroquina para o tratamento de infetados com covid-19, após o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ter anunciado que os laboratórios químicos e farmacêuticos do Exército do país vão ampliar a produção deste fármaco.O anúncio foi feito esta tarde por Bolsonaro na plataforma social Twitter, que indicou que há uma investigação sobre a eficácia deste fármaco, regularmente utilizado para o tratamento de artrite, lúpus e malária, contra a covid-19.O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, alertou que este fármaco está a ser utilizado de forma experimental em casos mais graves de portadores do novo coronavírus.Devido à afluência verificada nas farmácias para a aquisição de cloroquina, as autoridades de saúde brasileiras anunciaram que a compra deste medicamento estará sujeita a receita médica, uma vez que continua a ser necessário para doentes com artrite, lúpus e malária.Além disso, Wanderson de Oliveira alertou a população para que esta não se automedicar, uma vez que a cloroquina "tem efeitos colaterais graves" e a sua utilização exclusiva não é suficiente para o tratamento da covid-19.Este medicamento "não é para ser utilizado por quem está engripado e que acha que se tomar esse medicamento não vai ter complicações com a síndroma gripal", advertiu Wanderson de Oliveira.O secretário executivo acrescentou que o Brasil está "a chegar a um momento difícil" e que "as pessoas não podem ficar à espera (...) que o poder público tome ações para evitar o crescimento" da doença."Cada um de nós precisa de fazer a sua parte", assinalou João Gabbardo dos Reis.Jair Bolsonaro e vários membros do Governo brasileiro, que viajaram no início do mês para os Estados Unidos da América (EUA), foram submetidos a exames ao novo coronavírus, depois de a análise do secretário especial de comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, ter sido positiva.Segundo a imprensa local, já são mais de 20 as pessoas que integraram a comitiva governamental na viagem aos EUA que contraíram a covid-19, incluindo dois ministros.O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 271 mil pessoas em todo o mundo, das quais pelo menos 12.000 morreram.Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras