Coronavírus

Em tempos de pandemia uma filha despediu-se da mãe por videochamada

Rosem Morton

Enfermeira ligou do próprio telemóvel à norte-americana nos últimos momentos de vida da idosa.

Especial Coronavírus

Uma norte-americana pôde despedir-se da mãe, uma mulher de 75 anos infetada com o novo coronavírus, através de uma videochamada feita por uma das enfermeiras do hospital onde a idosa estava internada.

“Não poder estar lá e segurar a mão da minha mãe, dar-lhe festas na cabeça, dizer-lhe tudo o que queria. Senti-me desamparada, lembro-me dos dias que antecederam e sentia-me muito frustrada e desamparada e não podia falar com ela porque ela não estava consciente”, contou Michelle Bennett à CNN na segunda-feira.

Como tem acontecido com muitas outras famílias durante a pandemia de Covid-19, Michelle sabia que não iria poder estar com a mãe nos momentos finais, mas a atitude de uma enfermeira do hospital em Washington permitiu que a norte-americana se despedisse.

Do telemóvel pessoal, a enfermeira ligou para Michelle por videochamada, explicando que a idosa não viveria muito mais tempo.

“Vou pôr o telemóvel junto à cara dela, para lhe poder dizer que a ama e despedir-se. Ela não vai estar sozinha, ficaremos com ela até ao fim”, conta Michelle, recordando as palavras da enfermeira.

“Amo-te muito”, disse Michelle à mãe, explicando que as duas tinham discutido recentemente sobre as provações pelas quais passa uma relação entre mãe e filha e que nunca tinha podido dizer que desculpava a mãe.

“Eu desculpo-te mãe, amo-te. Sei que não tive uma oportunidade de o dizer. Está tudo bem, podes ir agora”.

À CNN, a mulher revelou ainda como foi difícil expressar as suas emoções não estando presente, mas espera que a mãe tenha ouvido as suas últimas palavras. Carolann Christine Gann acabou por morrer uma hora depois.

No final da videochamada, Michelle reparou que a enfermeira estava a chorar. “Sei que é difícil para eles”, disse, “não posso imaginar estar na linha da frente e ter de ir para casa todos os dias, arriscando eles próprios serem infetados, mas depois ter a compaixão e empatia para estar ali naquele momento como se fosse a própria mãe. Foi uma das coisas mais incríveis que já experienciei”.