Coronavírus

Seria "um erro trágico" reagir à crise provocada pela pandemia Covid-19 com austeridade

TIAGO PETINGA

Para o ministro da Economia solução passa antes por "apoiar o crescimento da economia".

Especial Coronavírus

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, considerou esta segunda-feria que seria "um erro trágico" reagir com medidas de austeridade à crise provocada pela pandemia, defendendo que a solução passa antes por "apoiar o crescimento da economia".

"Tenho a profunda convicção de que a crise financeira de 2008/2010 teve um impacto muito negativo em muitos países europeus precisamente porque a forma que as autoridades encontraram de lidar com ela foi a austeridade. Acho que num contexto como este - em que temos uma crise que vem de fora, que se impõe às comunidades, aos governos e aos países e determina uma paragem tão abrupta da atividade económica - só se sai desta crise com uma grande capacidade de apoiar o crescimento da economia", sustentou o governante numa entrevista à TSF.

Para o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, "numa crise que tem esta natureza, esta origem e este impacto, pôr austeridade em cima de um travão que já vem de fora para a economia só pode agravar os problemas".

"Nós sairemos desta crise quanto mais conseguirmos pôr a economia a crescer após o levantamento das medidas de contenção", pelo que "seria um erro trágico se a única resposta que a União Europeia nesta altura pudesse dar fosse voltar à receita da austeridade", reiterou.

Na entrevista, Siza Vieira considerou ainda que a "estabilidade política" e a "maturidade de todos os protagonistas políticos" em Portugal têm sido fundamentais para o país enfrentar "com o mínimo de sobressalto e com grande maturidade cívica toda esta crise" e garantiu estar "pouco preocupado" em fazer uma gestão política da situação.

"Francamente, nesta altura estou pouco preocupado em saber como se vai gerir politicamente o dia seguinte. Queremos é que este momento seja vivido com o mínimo de perturbação e o máximo de contenção e que possamos criar as condições para uma retoma vigorosa", disse.