Coronavírus

França retira migrantes de Calais para centros de confinamento

Benoit Tessier

Retirada começou esta sexta-feira.

Especial Coronavírus

A retirada de migrantes da zona de Calais (norte de França) para os colocar em centros de acolhimento onde podem ficar confinados durante a crise da Covid-19 começou esta sexta-feira, constatou a agência francesa AFP.

Entre 650 migrantes, segundo as autoridades francesas, e mil, segundo as associações humanitárias, vivem atualmente em Calais, na margem francesa do Canal da Mancha, na esperança de chegar a Inglaterra.

A operação, organizada pelo Estado, visa "cuidar, por razões humanitárias, de uma população sem abrigo", cuja presença em certas zonas da periferia de Calais causa "graves problemas de saúde pública" e representa "um atentado à segurança pública", afirmou a presidência do município em comunicado.

A medida visa também "responder à lógica nacional de confinar as pessoas" para diminuir os contágios de Covid-19.

A partir desta sexta-feira, "vários autocarros vão transportar essas pessoas para os centros de acolhimento" localizados em cidades do departamento de Pas-de-Calais.

"Até agora, foi identificada uma capacidade global de 400 lugares de acolhimento, mas continuamos a procurar mais", acrescentou a presidência do município, referindo que a retirada de migrantes de Calais vai decorrer durante as próximas duas semanas.

As deslocações vão ser feitas "na base do voluntariado", mas "poderão ser usadas medidas coercivas, se for necessário, com base nos meios legais existentes", explicou a mesma fonte.

Segundo a AFP, hoje de manhã estavam dois autocarros estacionados perto de um campo de migrantes, onde, segundo a presidência do município, viviam dois migrantes infetados pelo novo coronavírus, e que foram colocados de imediato em isolamento.

Estas pessoas são "colocadas imediatamente em apartamentos dedicados aos infetados, onde serão seguidas", explicou a câmara de Calais, adiantando que os serviços estatais reservaram cerca de 20 locais para acolher refugiados infetados.

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