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Centeno defende adiamento do debate dos "coronabonds" para depois da crise

TIAGO PETINGA

Centeno propõe concentração nas medidas em que há consenso e nas que se pode chegar a um acordo na reunião de terça-feira.

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O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, defendeu este sábado o adiamento do debate sobre os "coronabonds" para depois da crise e a concentração nas medidas em que haja consenso, numa entrevista a meios europeus hoje publicada.

"Sairemos desta crise com uma dívida mais alta para todos os Estados. É decisivo que essas dívidas não sejam um obstáculo para que os Estados assumam novas dívidas", afirmou Centeno na entrevista ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" e a outros meios europeus. "Para isto precisamos de prazos longos e juros baixos. Um caminho para reduzir a carga da crise seria a emissão de títulos de dívida comum, os chamados "coronabonds". Poderiam ser limitados no tempo, como contempla a proposta francesa", adiantou.

Contudo, de momento Centeno propõe concentração nas medidas em que há consenso e nas que se pode chegar a um acordo na reunião do Eurogrupo na próxima terça-feira.

"Vejo um grande apoio para um novo pacote em defesa da zona euro e de toda a Europa. Elaborámos três medidas de proteção para os orçamentos, para as empresas e para os trabalhadores", disse, referindo que as três reformas são uma rede de segurança de cerca de 500 mil milhões de euros.

Centeno referia-se ao plano de linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para Estados com problemas, aos créditos do Banco Europeu de Investimento (BEI) para empresas e aos apoios para programas de suspensão de contratos de trabalho ('lay-off') apoiados pelo Estado, propostos pela Comissão e deixava de fora o tema dos "coronabonds".

"Sempre lutarei por mais integração na Europa, mas o debate sobre títulos de dívida comum não deve pôr em perigo a nossa capacidade de chegar a um consenso sobre o pacote de urgência com as suas três medidas de proteção", considerou Centeno quando foi questionado sobre o tema dos "eurobonds". "Continuaremos o debate", adiantou.

A proposta francesa, segundo Centeno, aponta para a fase da reconstrução depois da pandemia e, disse, "seria eficaz".

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