Coronavírus

O calor do verão poderá ajudar a vencer o novo coronavírus?

Dominic Ebenbichler/ Reuters

Cientistas tentam encontrar resposta para esta questão.

Especial Coronavírus

As temperaturas mais amenas estão a chegar, em especial no hemisfério norte com a aproximação do verão. O clima quente poderá trazer novas ideias sobre a evolução do coronavírus SARS-CoV-2.

As epidemias de gripe tendem a desaparecer quando o inverno termina. Poderá o calor e a luz do sol influenciar, da mesma forma, o comportamento do SARS-CoV-2? Para encontrar resposta a esta questão, os epidemiologistas estão a acompanhar as mudanças do vírus responsável pela pandemia da Covid-19.

Estudos realizados sobre outros coronavírus sugerem um padrão sazonal, com mais casos registados no inverno e abrandamento na primavera. Por outro lado, de acordo com essas pesquisas, apenas pequenas quantidades de coronavírus parecem ser transmitidas no verão.

Essa é uma das conclusões de uma investigação, publicado na semana passada por cientistas da University College de Londres, sobre coronavírus comuns - HCoV-NL63, HCoV-OC43 e HCoV-229E. A pesquisa mostra altas taxas de infecções por coronavírus em fevereiro e muito mais baixas no período do verão.

Em relação ao novo coronavírus, o principal autor do estudo considerou: "Como este vírus é novo, não sabemos se um padrão sazonal se manterá durante o verão, devido aos altos níveis de suscetibilidade da população. Por esse motivo, é crucial que todos sigam os conselhos de saúde atuais", aconselhou Rob Aldridge, em entrevista ao The Guardian.

Outros cientistas mostram-se cautelosos e alertam para o facto do SARS-CoV-2 ser um agente infeccioso completamente novo e, portanto, não haver ainda possibilidade das populações desenvolverem imunidade. Assim, admitem que é provável que continue a propagar-se nas taxas atuais, apesar do início do verão.

"É certo que as variações sazonais no comportamento do vírus terão um papel importante na disseminação", considerou o virologista Michael Skinner, do Imperial College de Londres, citado pelo The Guardian.

"Contudo, a influência do clima será muito menor do que o resultado que estamos a registar com o distanciamento social. Pode produzir alguns efeitos marginais, mas nada comparado com o auto-isolamento", defendeu o especialista.

Alberto Pezzali/ AP

A chegada da primavera não afeta apenas o comportamento de um vírus, produz também alterações no sistema imunológico humano, apontam outros pesquisadores. "O nosso sistema imunológico exibe um ritmo diário, mas o que menos se sabe é como isso varia de estação para estação", considerou a imunologista Natalie Riddell, da Universidade de Surrey, no Reino Unido.

O impacto das estações no ritmo celular ainda está sob investigação. Cientistas das Universidades de Surrey e de Columbia, nos Estados Unidos, tentam encontrar respostas para a questão das alterações imunológicas em humanos em diferentes estações do ano.

Os resultados seriam de considerável importância, considerou Micaela Martinez, da Universidade de Columbia. "Conhecer as vulnerabilidades do nosso corpo a doenças e vírus ao longo do ano é um informação relevante, também para definir qual o melhor momento das campanhas de vacinação que nos ajudarão a erradicar as infeções", realçou a investigadora.

ESPECIAL CORONAVÍRUS

  • 0:43