Coronavírus

Enviaram-lhe um vídeo em que se associam os sintomas de Covid-19 à rede 5G?

Toby Melville

Ignore. São falsos. Youtube e whatsapp têm novas regras. Redes sociais tentam travar a desinformação sobre o Coronavírus

Especial Coronavírus

Enviaram-lhe um vídeo em que se associam os sintomas de Covid-19 à rede 5G? Ignore. São falsos. A teoria da conspiração levou os responsáveis pelo youtube a banirem estes conteúdos.

A plataforma, propriedade da Google, que antes se tinha limitado a reduzir a frequência com que os promovia, foi agora mais longe, e excluiu todos os conteúdos que violam as políticas do serviço.

A decisão teve lugar depois de ter sido publicada uma entrevista a David Icke, esta segunda-feira, que chegou a ser assistida por cerca de 65 mil pessoas durante a transmissão em direto.

O teórico da conspiração afirmava existir "um elo entre o 5G e esta crise de saúde". E, quanto aos relatos de incêndios de antenas G5 no Reino Unido e na Irlanda do Norte, Icke chegou mesmo a admitir que "Se o 5G continuar e chegar onde eles querem levá-lo, a vida humana como a conhecemos acabou ... então as pessoas têm de tomar uma decisão ".

Repleta de declarações de carácter duvidoso, ou mesmo falso, a entrevista apontava ainda para a existência de uma alegada vaciona contra o coronavírus, que incluiria microchips de nanotecnologia. Para quê? Para permitir o controlo humano.

Nos comentários, depois de publicado o vídeo, foram vários os utilizadores do youtube a pedir novos ataques às torres 5G.

E só então, terminada a transmissão, o youtube avançou para a exclusão conteúdo.

De acordo com a BBC, terão sido os jornalistas do canal a questionarem os responsáveis, para perceber porque não tinham tinham actuado mais cedo.

Na resposta à BBC, a porta-voz da plataforma deu então a garantia de que a companhia tem fixadas "políticas claras que proíbem vídeos que promovam métodos, sem fundamento médico, para impedir o coronavírus, ao invés do tratamento médico. E rapidamente removeremos vídeos que violem essas políticas quando sinalizados para nós."

"Agora, qualquer conteúdo que contesta a existência ou transmissão do Covid-19, conforme descrito pela OMS [Organização Mundial da Saúde] e pelas autoridades locais de saúde, viola as políticas do YouTube", acrescenta a nota.

As novas regras implicam ainda que, nos casos em que haja uma violação repetida destas políticas, os responsáveis sejam impedidos de aceder à plataforma e de usa-la para ganhar dinheiro. Em último recurso, os canais que estes utilizadores administram podem mesmo ser encerrados.

Tal como no youtube, a plataforma de mensagens whatsapp também acaba de adoptar novas regras.

Para evitar a propagação massiva de falsas notícias, a aplicação passa a limitar a uma, a quantidade de destinatários para quem alguém consegue reencaminhar uma mensagem, quando esta já tiver sido compartilhada mais de cinco vezes pela comunidade de utilizadores.