Coronavírus

Atingir o pico da pandemia é bom ou mau?

Handout .

A maioria dos especialistas em epidemiologia e saúde pública acredita que o pico - ou o início do planalto - já terá passado.

Especial Coronavírus

Uma boa notícia que ainda assim se pode transformar num quebra cabeças para os nossos governantes que têm em mãos a decisão de colocar o país de volta à normalidade.

O que fazer agora é simples: é esperar que o vírus não progrida mais e atinja o tão almejado R0 abaixo do 1. Quando assim acontecer - e poderá acontecer em breve, se as medidas de contenção se mantiverem por mais algum tempo, nomeadamente o distanciamento social - cada um dos infetados transmitirá a infeção a apenas uma pessoa. Será mais fácil rastrear, vigiar e controlar os novos infectados.

O pior virá depois: e aí sim a decisão de deixar o país voltar à normalidade não será fácil de tomar. E tenho dúvidas de que o Governo consiga encontrar do lado dos cientistas unanimidade ou até consensualidade sobre o que fazer.

Podemos até abrir as escolas aos mais novos, com menor risco, e mantermos em casa os mais velhos e com maior risco. Podemos abrir restaurantes e outras lojas comerciais impondo regras de distanciamento e podemos conter as viagens de lazer para outros concelhos. O que seguramente não poderemos fazer é abrir de novo o tráfego aéreo e as fronteiras. Pelo menos enquanto continuarem a existir focos de infeção por esse mundo fora. Se isso acontecer, não é difícil antever ou prever que o coronavirus virá de novo até nós.

O último balanço da DGS dá conta de quase 14 mil diagnosticados com o novo coronavírus. E refiro diagnosticados propositadamente, já que infetados deveremos ser muitos mais apesar de não existirem dados estatísticos que possam prever o número de pessoas que foram infetadas com o vírus e não desenvolveram qualquer doença. Os chamados assintomáticos. O que se sabe sobre este vírus é tão pouco que se torna inviável predizer esse número.

A única forma de o saber é através de um estudo serólogico do país. O Instituto Ricardo Joge está a trabalhar num projeto piloto que arrancará antes do final mês.

Saber quantos de nós já criaram anti corpos ao vírus e qual é a imunidade de grupo do país é essencial. Sobretudo para nos prepararmos para a nova onda da epidemia que investigadores de todo o mundo admitem que possa chegar no próximo Outono.

Não quer dizer que as medidas de saúde pública que vierem a ser implementadas nessa altura sejam iguais às de agora. Terão de ser decididas tendo em conta a percentagem da população que estiver imune ao vírus SARS-CoV-2. (No início da epidemia a nossa imunidade era de o%).

Ainda assim será muito abaixo do que é considerada a imunidade grupal adequada, que anda à volta dos 60% da população. E de acordo com os últimos dados, nem 1% da população portuguesa terá sido ainda atingida.

Junta-se ainda a este facto um outro não menos importante. Nao é certo de que o vírus não sofra uma mutação, para a qual vamos estar de novo desprotegidos. E se assim fôr, podemos voltar à estaca zero.

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