Coronavírus

Acordo no Eurogrupo é "bom sinal de solidariedade" europeia

Yves Herman

As negociações foram duras e todos tiveram que ceder para chegar a um "resultado positivo".

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O grupo dos Socialistas e Democratas (S&D, que inclui o PS) no Parlamento Europeu considerou esta sexta-feira que o acordo a que o Eurogrupo conseguiu chegar é "um bom sinal de solidariedade" para a luta contra a covid-19.

Num comunicado, a líder dos S&D, a espanhola Iratxe García, disse que "o acordo é um bom sinal de que a UE está pronta para combater a covid-19 em solidariedade", salientando que as negociações foram duras e todos tiveram que ceder para chegar a um "resultado positivo".

"Infelizmente, esta será uma longa crise e a UE irá necessitar de uma estratégia abrangente de longo prazo para relançar a economia", adiantou García, esclarecendo que a sua família política está a trabalhar com os outros grupos no Parlamento Europeu para conseguirem adotar, na próxima semana, uma resolução conjunta para propor novas medidas à Comissão e ao Conselho Europeu.

Na quinta-feira, e após uma reunião de cerca de 20 horas (que começou na terça-feira e esteve interrompida), o Eurogrupo aprovou a proposta apresentada em 02 de abril passado pela Comissão Europeia de um instrumento temporário, o "Sure", que consistirá em empréstimos concedidos em condições favoráveis pela UE aos Estados-membros, até um total de 100 mil milhões de euros, para ajudar os Estados a salvaguardar postos de trabalho através de esquemas de emprego temporário.

Para as empresas, a solução passa pelo envolvimento do Banco Europeu de Investimento (BEI), através de um fundo de garantia pan-europeu dotado de 25 mil milhões de euros, que permitirá mobilizar até 200 mil milhões de euros suplementares para as empresas em dificuldades, sobretudo pequenas e médias empresas.

Aprovadas foram também linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o fundo de resgate permanente da zona euro, destinadas a cobrir custos direta ou indiretamente relacionados com a resposta a nível de cuidados de saúde, tratamento e prevenção da covid-19.

O Eurogrupo acordou ainda a criação de um fundo de recuperação após a crise gerada pela covid-19, mas pediu aos líderes europeus para decidirem "o financiamento mais apropriado", se através da emissão de dívida ou de "formas alternativas".

Sobre esta última questão, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, garantiu no Twitter que "a Comissão Europeia irá responder ao apelo [Notes:feito pelo Eurogrupo] para uma ação decisiva através de um plano de recuperação e de um quadro financeiro plurianual reforçado", isto em "cooperação com o presidente do Conselho Europeu", o belga Charles Michel.

Caberá agora aos líderes europeus, que se deverão reunir nos próximos dias, acordar os detalhes deste fundo de recuperação, desde logo as fontes de financiamento, os aspetos jurídicos e ainda a sua relação com o orçamento europeu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 94 mil.

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