Coronavírus

Primeiro-ministro recusa a "receita" da austeridade 

Ana Geraldes

Ana Geraldes

Jornalista

Em entrevista à Lusa, garante que o país não terá as medidas impostas há dez anos.

Especial Coronavírus

António Costa ainda não sabe quando pode começar a recuperação económica do país. Mas sabe que tem que começar a pensar no assunto desde já.

Por isso, na próxima semana, vai ouvir economistas e os que no Banco de Portugal, Instituto Nacional de Estatística, ISEG e Universidade Católica fazem previsões e têm já alguns sinais, segundo o Primeiro-ministro. Não é ainda para traçar cenários e definir a partir de quando pode acontecer o relançamento, mas com deve acontecer, num "debate" como lhe chamou António Costa, que é "importante" e que muito depende do que vier da União Europeia para responder à crise: "uma bazuca ou uma fisga".

De uma forma ou de outra, o Primeiro-ministro sabe que se antecipam tempos difíceis para a economia nacional. Mas garante que não vai ser com austeridade que o país conseguirá voltar a reerguer-se pós-pandemia: ."Podem estar seguros de que não adotarei a mesma receita, não só porque já na altura não acreditei nela, como, sobretudo, porque a doença agora é claramente distinta da anterior. Não há atualmente uma doença das finanças do Estado, que, felizmente, conseguiu sanear as suas finanças públicas. Esta crise é uma crise económica, global, que resulta de uma crise sanitária. Portanto, querer aplicar a mesma receita que já se demonstrou errada há dez anos seria agora duplamente errado", disse na entrevista à agência Lusa.

BE e PCP não são só para "vacas gordas"

António Costa reconhece a atitude de "maturidade política" que tem visto em Portugal. Não esquece a disponibilidade manifestada por Rui Rio e considera que há um sentido de responsabilidade em todos os partidos.

Se depois da pandemia, a unidade vai continuar? Afirma que tem que ser. E diz até que "ficaria desiludido se só pudesse contar com BE e PCP em tempo de vacas gordas e crescimento económico".

É aos parceiros de esquerda que deixa aliás a nota que se o país cresceu foi também com o contributo que tiveram. Considerando que "a crise não alterou aspetos que são fundamentais" e "não há nenhum vírus que mate as diferenças ideológicas que existem, porque isso seria abolir a democracia", Costa diz que conseguir "consensos políticos alargadíssimos" nas medidas do estado de emergência tem revelado uma "capacidade pactuação, de negociação e de convergência no conjunto da sociedade portuguesa".