Coronavírus

Governador do Rio de Janeiro testa positivo para o novo coronavírus

Leo Correa

Após apresentar sintomas como "febre" e "dor de garganta" desde sexta-feira.

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O governador do estado brasileiro do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, anunciou esta terça-feira que testou positivo para o novo coronavírus, após apresentar sintomas como "febre" e "dor de garganta" desde sexta-feira.

"Quero comunicar a todos que desde sexta-feira não me estava a sentir bem e pedi para que fosse feito o testo da covid-19 e hoje veio o resultado positivo. Tive febre, dor de garganta, perda de olfato e, graças a Deus, estou a sentir-me bem e continuarei a trabalhar aqui no Palácio Laranjeira, mantendo as restrições e recomendações médicas", informou o governador através de um vídeo partilhado na rede social Twitter.

Witzel, ex-juiz e ex-fuzileiro naval, governa aquele que é o segundo estado brasileiro com mais casos registados da covid-19. Até segunda-feira, o Rio de Janeiro tinha 188 vítimas mortais e 3.231 infetados pelo novo coronavírus, segundo dados do Ministério da Saúde.

Wilson Witzel, que tem aplicado medidas rígidas para travar a pandemia no seu estado, tem sido um dos governadores que mais tem feito oposição ao Presidente do país, Jair Bolsonaro, em relação a medidas de isolamento social para travar a disseminação do vírus.

No último fim de semana, o governador do Rio de Janeiro considerou que Bolsonaro pode ser confrontado com um processo de destituição ou responder em tribunal por relativizar a pandemia da covid-19 e defender o fim do isolamento social.

"O comportamento de um chefe de Estado que não está em conformidade com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde pode ter repercussões internacionais", afirmou Witzel, em entrevista à agência Efe.

Witzel reforçou ainda que o Presidente brasileiro se tem oposto à posição assumida pela esmagadora maioria dos países no combate à pandemia.

"Todo o mundo está a defender medidas contra o vírus, com total isolamento da sociedade até que uma vacina seja descoberta ou testes sejam realizados, e ele não está a fazer isso. Ele, como chefe da nação, precisa tomar estas medidas. Caso contrário, a responsabilidade política será sua", concluiu.

Bolsonaro já chegou a pedir à população que volte ao trabalho e às ruas porque está preocupado com as consequências económicas da crise causada pela disseminação da pandemia, especialmente o desemprego.

Além disso, o chefe de Estado brasileiro desafiou, várias vezes, as recomendações das autoridades de saúde, realizando passeios esporádicos por Brasília, subestimando a gravidade da crise e chamando a covid-19 de "gripezinha" e "resfriado".

O Brasil contabilizou 105 mortes e 1.261 novos casos de infeção pela covid-19 na segunda-feira, totalizando 1.328 óbitos e 23.430 infetados desde o início da pandemia, informou o executivo.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 124 mil mortos e infetou quase dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Dos casos de infeção, cerca de 413.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.