Coronavírus

Médicos cautelosos sobre resultados de ensaios com o Remdesivir

Denis Balibouse

Fabricado pela Gilead Sciences, o remdesivir já tinha sido testado contra o Ébola, com pouco sucesso. Mas os estudos em animais revelavam resultados positivos na prevenção e tratamento de coronavírus, incluindo a SARS e MERS. E em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde também se mostrava confiante no potencial do medicamento contra a Covid-19. Agora, de acordo com o site de notícias médicas STAT news, há novos dados que apontam para a sua eficácia.

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O quadro era complicado - febre e sintomas respiratórios graves. Foi assim que deram entrada no hospital os doentes que participaram do ensaio clínico sobre o remdesivir. Mas, acabaram por receber alta hospitalar em menos de uma semana.

"A melhor notícia é que a maioria dos nossos pacientes já recebeu alta, o que é ótimo. Só tivemos dois pacientes", disse Kathleen Mullane , especialista em doenças infecciosas da Universidade de Chicago, que lidera o ensaio, num vídeo onde discutia com colegas as conclusões obtidas.

Confrontada com a divulgação do vídeo, a Universidade de Chicago alertou, num comunicado, para o facto dos comentários de Mullane serem informações parciais.

"Os dados parciais de um estudo clínico em andamento são, por definição, incompletos, e nunca devem ser usados ​​para tirar conclusões sobre a segurança ou a eficácia de um potencial tratamento que está sob investigação", lê-se.

"Nesse caso, são informações de um fórum interno entre colegas de pesquisa sobre trabalhos em andamento, que foram divulgadas sem autorização (pelo STAT news). Tirar conclusões neste momento é prematuro e cientificamente errado".

A CNN revela que pediu esclarecimentos à especialista, mas não obteve qualquer resposta.

 Há dezenas de ensaios sobre o remdesivir a decorrer

Há dezenas de ensaios sobre o remdesivir a decorrer

Thomas Peter

Uma das falhas apontadas ao estudo consiste no facto de não ter incluído o chamado grupo de controlo, onde a alguns pacientes não é dado o medicamento, para poder determinar se foi mesmo a substância que afetou a sua condição. Sem isso, os médicos não podem ter a certeza se a recuperação foi consequência da toma do remdesivir.

Para já, há dezenas de outros ensaios sobre o medicamento experimental a decorrer.

Com testes ao remdesivir a decorrer em 2400 pacientes com sintomas graves de Covid-19, em 152 locais em todo o mundo, a biofarmacêutica Gilead acredita que possa ter resultados até o final do mês. Já sobre os resultados parciais divulgados pelo STAT, a empresa é cautelosa.

"Entendemos a necessidade urgente de um tratamento para a COVID-19 e o interesse em dados sobre o antiviral em investigação", informou a empresa em comunicado à CNN, alertando, no entanto, que algumas histórias sobre pacientes são apenas isso - histórias.

"A totalidade dos dados precisa ser analisada para tirar conclusões do estudo. Os relatórios anedóticos, embora encorajadores, não fornecem o poder estatístico necessário para determinar o perfil de segurança e eficácia do remdesivir como tratamento para o Covid-19."

Entrevistado pela SIC, no final de Março, o médico investigador Hugo Silva, defendia que o Remdesivir é o medicamento mais promissor para tratar as pessoas com coronavírus.