Coronavírus

A possibilidade de celebrar o 13 de maio, o desconfinamento e a nova realidade do SNS

Entrevista na Íntegra

A possibilidade de celebrar o 13 de maio, o desconfinamento e a nova realidade do SNS

A entrevista na íntegra à ministra da Saúde.

Especial Coronavírus

A ministra da Saúde, Marta Temido, fez este sábado, no Jornal da Noite da SIC, um balanço dos últimos dois meses e uma análise das novas medidas de desconfinamento anunciadas pelo Governo.

Na entrevista, a ministra falou sobre a manifestação organizada pela CGTP no Dia do Trabalhador, a peregrinação do 13 de maio, as regras para a utilização de máscaras, o Serviço Nacional de Saúde e o desconfinamento.

Celebrações do 1.º de maio

Questionada sobre a manifestação que assinalou o Dia do Trabalhador, organização pela CGTP, a ministra afirmou que "estava em linha com a execionalidade prevista no decreto presidencial". Porém, era nas mãos das autoridades da saúde que estava a decisão de permitir ou não o ajuntamento de pessoas, ainda que cumprindo as regras de distanciamento social.

Em pleno estado de emergência, numa altura em que os portugueses estavam proibidos de sair do concelho de residência, alguns autocarros transportaram pessoas da Margem Sul e de outros pontos do país até ao concelho de Lisboa. Quanto a isto, Marta Temido respondeu apenas que a manifestação foi feita de "forma ordeira e pacífica", frisando que foi uma escolha da instituição - CGTP - celebrar o dia daquela forma. Ressalvou ainda que as "insitutições têm sempre uma outra forma de representaçao social" e - como a Igreja Católica é uma instituição - impôs-se o tema seguinte.

Peregrinação do 13 de maio

O bispo de Leira-Fátima anunciou ainda no início do mês de abril que as celebrações do 13 de maio vão decorrer à porta fechada este ano. A ministra da Saúde, Marta Temido, assumiu, no entanto, que as celebrações do 13 de maio, em Fátima, são "uma possibilidade", desde que sejam uma opção dos organizadores e cumpridas as regras sanitárias.

"Se essa for a opção de quem organiza as celebrações, de organizar uma celebração do 13 de Maio onde possam estar várias pessoas, desde que sejam respeitadas as regras sanitárias, isso é uma possibilidade", respondeu.

Uso de máscaras

A utilização de máscaras como forma de proteção contra a Covid-19 tem sido bastante discutida ao longo dos últimos meses. Se no início a indicação era para não se recorrer a este equipamento de proteção, as regras agora são outras, até por causa das medidas de desconfinamento, que vão trazer mais pessoas à rua e a estabelecimentos comerciais, como cabeleiros, barbeiros e prontos-a-vestir que reabrem já esta segunda-feira.

"Foi uma opção que tomámos face a um contexto de desconfinamento e maior concentração de pessoas", afirmou.

Porém, há diretrizes que se mantém: as máscaras cirúrgicas devem ser utilizadas por profissionais de saúde e doentes, podendo a população optar pelas chamadas máscaras comunitárias, que "vieram atribuir outra dimensão ao tema". Marta Temido chamou apenas a atenção para a certificação das máscaras comunitárias.

Em suma, devem utilizar-se máscaras nos locais recomendados, entre eles, espaços fechados e transportes públicos.


NOVA NORMALIDADE DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE

Marta Temido garantiu que os 1.800 profissionais contratados para dar resposta ao surto de coronavírus são para manter e explicou que esses profissionais são necessários para os restantes garantam o que ficou por fazer.

"É um exercício muito complicado", desabafou.

Sobre o Serviço Nacional de Saúde, a Ministra deixou vários elogios ao longo da entrevista:

"O SNS descrobriu uma forma que estava adormecida e novas formas de trabalhar".

Como exemplo, falou da telesaúde, da disponibilidade para trabalhar em equipa e dar resposta através das linhas de apoio.

Questionada sobre um possível aumento remuneratório, a Ministra da Saúde considera "óbvio" premiar o trabalho que se distingue. No entanto, lembrou que Portugal não pode estar "a duas velocidades" e que nos últimos anos "houve um conjunto de repercussões em matéria remuneratória que já aconteceram".


Risco de transmissibilidade em Portugal

No início da pandemia, o risco de transmissão (o chamado R0) era superior a 2, isto é, cada indivíduo tinha a probabilidade de infetar outros dois. Neste momento, segundo a ministra, o "risco de transmissibilidade está em 0.92 ", uma descida influenciada pelas medidas de contenção.

De acordo com Marta Temido, o risco não vai ser de zero, mas quanto mais "próximos estivermos do zero, melhor estaremos". Referiu ainda que qualquer número abaixo de 1 permite ao Serviço Nacional de Saúde estar relativamente tranquilo, com capacidade de resposta.

Em relação ao número de novos casos, admitiu que tem estado instável e que gostavam que o número fosse ainda mais baixo. Porém, a ministra diz-se mais preocupada com os óbitos, os internados e os doentes em cuidados intensivos, que são os que podem levar a uma sobrecarga do sistema de saúde, para além de que, os novos infetados, podem apresentar uma infeção leve.

CONSULTAS E O RECEIO DOS HOSPITAIS

O receio de idas ao hospital e de remarcação de consultas foi um dos temas da entrevista. No Jornal da Noite da SIC, Marta Temido afirmou que o Serviço Nacional de Saúde "procura e procurará sempre" garantir as condições de segurança para os profissionais e para os doentes.

"Ninguém deixe de usar o Serviço Nacional de Sapude por receio se tiver uma necessidade efetiva", realçou.

Sobre o que está a ser preparado, a Ministra da Saúde fala em várias ferramentas para "permitir que as coisas corram em segurança". É o caso de separação de circuitos, equipamentos de proteção individial, consultas com hora marcada, exempleficou. Marta Temido salientou ainda que há uma preocupação de retomar a atividade assistencial.

Durante a entrevista, disse ainda que os primeiros meses do ano foram "penosos" em relação às consultas, depois de ter havido uma redução de consultas em espera há mais de um ano em mais de 45% no final de 2019.