Coronavírus

A genética e a Covid-19: Os gémeos e irmãos que morreram com dias de diferença

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Investigadores dizem que evidências devem ser interpretadas com cuidado.

Especial Coronavírus

Em abril, pelo menos dois pares de gémeos e dois pares de irmãos morreram, vítimas da Covid-19, com poucas horas ou dias de diferença. Os cientistas estão a investigar a influência de fatores genéticos na doença, mas sublinham que as evidências devem ser interpretadas com cuidado.

A maioria dos cientistas acredita que os genes desempenham um papel na forma como cada pessoa responde a infeções. A resistência de um indivíduo à infeção, a sua saúde geral e a forma como o sistema imunitário reage terão alguma ligação à genética, apontam os investigadores.

Uma equipa britânica liderada pelo professor Tim Spector, do King's College de Londres, reportou que fatores genéticos explicam cerca de 50% das diferenças entre os sintomas das pessoas com Covid-19. Ainda assim, o investigador alerta que é preciso mais informação para perceber quais os genes envolvidos e como afetam a doença.

Os gémeos e irmãos que morreram com Covid-19

As gémeas Katy e Emma, de 37 anos, morreram no mês passado num hospital da cidade inglesa Southampton. Viviam juntas, tinham problemas de saúde prévios e estavam doentes antes de contraírem o vírus. Outro par de gémeas, Eleanor e Eileen, de 66 anos, morreram no início de maio. Também viviam juntas e sofriam de outras condições médicas preexistentes.

Dois irmãos da cidade norte-americana de Newport, Ghulam e Raza, com 59 e 54 anos, morreram com poucas horas de diferença no hospital, infetados com o novo coronavírus. Outro par de irmãos britânicos, Olume e Isi, de 46 e 38 anos, morreram com alguns dias de diferença.

“Estas mortes alertam as pessoas para o facto de isto poder ser genético, mas quando as pessoas vivem no mesmo sítio também partilham um ambiente”, explicou o professor que liderou a investigação ao The Guardian, sublinhando que gémeos ou irmãos que vivem juntos têm maior probabilidade de partilhar estilos de vida e comportamentos semelhantes, desde a dieta a hábitos de exercício, até mesmo ao acesso a cuidados de saúde.

Marcus Munafo, professor de biologia na Universidade de Bristol, explicou que estas mortes devem ser interpretadas com cuidado.

“Tendemos a focar-nos em informação que se destaca, mesmo que não seja particularmente relevante. Precisamos de ter cuidado na forma como interpretamos estes eventos (…). Quando gémeos ou irmãos morrem tragicamente com Covid-19 isso chama a nossa atenção, mas não significa que haja alguma razão particular para pensar que estão em maior risco”, disse.