Coronavírus

Anticoagulantes podem ajudar pacientes com Covid-19

Anticoagulantes podem ajudar pacientes com Covid-19

Yves Herman / Reuters

A equipa responsável pela descoberta está agora a conduzir novas experiências para perceber que medicamentos podem ser mais eficazes, e em que doses.

Especial Coronavírus

Uma equipa do Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque, concluiu que a medicação usada para diluir a espessura do sangue pode salvar alguns dos pacientes mais afetados pela Covid-19.

A descoberta, anunciada esta quarta-feira, é um importante contributo na resolução de um dos problemas com que as equipas médicas mais se têm debatido ao enfrentar o coronavírus - a presença de coágulos sanguíneos no corpo dos pacientes tornam ainda mais complexa uma doença já tão difícil de tratar.

"Os pacientes que tomaram anticoagulantes reagiram melhor do que aqueles que não receberam", disse à CNN o diretor do hospital, Dr. Valentin Fuster.

Ainda assim, Fuster reconhece que os resultados ainda não são claros o suficiente para fazer recomendações sólidas. O médico e os colegas analisaram mais de 2 700 pacientes.

A partir de março, alguns destes receberam medicamentos anticoagulação. A equipa começou então a analisar sistematicamente se estes medicamentos faziam diferença. E acabaram por confirmar que sim, especialmente em doentes que tinham precisado de ventiladores para ajudá-los a respirar.

Anticoagulantes podem ajudar pacientes com Covid-19

Anticoagulantes podem ajudar pacientes com Covid-19

Yves Herman / Reuters

O estudo revela que 29% dos pacientes com ventilação que receberam anticoagulantes morreram, em comparação com 63% dos pacientes que, estando na mesma condição, não tomaram diluidores de sangue.

"As nossas descobertas sugerem que os anticoagulantes podem estar associados a melhores resultados em pacientes hospitalizados com Covid-19", escreveram os responsáveis no relatório, publicado agora no jornal da Universidade Americana de Cardiologia.

Os pacientes receberam doses diferentes, e diferentes tipos de anticoagulantes. Importa agora, sublinha Fuster, estudar sistematicamente qual é a combinação de dose e o tipo de medicamento que funciona melhor. De uma coisa, o médico não tem dúvidas. É que a coagulação do sangue é um fator determinante na morte de pacientes com Covid-19.

"Fizemos 75 autópsias, e a coagulação é um problema, sem dúvida", afirmou. "Começa com os pulmões, seguindo pelos rins, coração e acaba no cérebro".

As consequências, explica, são devastadoras. "É tão dramático para todos nós. Você sente que pode fazer muito pouco além de sustentar a vida do paciente".

Uma equipa do Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque, concluiu que a medicação usada para diluir a espessura do sangue pode salvar alguns dos pacientes mais afectados pela Covid-19.

Uma equipa do Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque, concluiu que a medicação usada para diluir a espessura do sangue pode salvar alguns dos pacientes mais afectados pela Covid-19.

Stefan Wermuth (Reuters)

Fuster diz ter ainda uma outra dúvida, suscitada pelos resultados do ensaio.
O médico gostaria de estudar se os anticoagulantes poderiam ajudar pacientes em menor risco, que não estão hospitalizados. Há relatos hospitalares que apontam para um aumento preocupante de Acidentes vasculares cerbrais (AVC) em pessoas com menos de 50 anos que, à partida, não corriam tanto risco. Muitos desses, constatou-se mais tarde estarem infectados com o coronavírus.
Não se sabe, para já, qual é a relação entre o vírus e este aparecimento de coágulos no sangue. Mas, o aumento da coagulação, pode ser um efeito colateral da inflamação grave, causada por algumas infecções virais.

  • 21:07