Coronavírus

"A burocracia está a paralisar-nos". Esta prisão colombiana tem 859 casos de Covid-19

Bogotá, Colômbia

Mauricio Duenas Castaneda

Muitos dos médicos que ali trabalhavam abandonaram funções por não estarem a receber os equipamentos de proteção necessários.

Especial Coronavírus

São mais de 850 infetados, entre reclusos e funcionários, numa prisão na cidade de Villavicencio.

O director, Miguel Ángel Rodriguez, queixa-se da superlotação, que diz ser a principal resonsável por um dos piores surtos de coronavírus registados na Colômbia.

"Como posso garantir que haja isolamento, se houver pessoas a dormir debaixo das camas e nas casas de banho?" pergunta.

Segundo Miguel Ángel, que respondeu a perguntas sobre o caso numa sessão virtual da Assembleia Regional, quando o surto começou, havia 1.835 presos no estabelecimento, mais do dobro da capacidade.

Ainda há duas semanas, a polícia intercetou uma tentativa de fuga de um grupo de presos que tinham começado a construir um túnel.

O diretor acusa agora o Estado colombiano de ter abandonado a prisão: "Existem grupos de trabalho e conselhos de segurança, onde muitas ideias são lançadas e muitos papéis assinados, mas não há resultados. A burocracia está a paralisar-nos e, dentro da prisão, estamos a fazer o que podemos".

O responsável explica que atualmente há 1.750 detidos naquela cadeia, o que torna impossível impedir a propagação do vírus.

"As áreas que usamos para isolar [presos] não são ideais", afirmou, acrescentando que as autoridades prisionais estavam a transferir prisioneiros para uma das oficinas de carpintaria, para criar mais espaço.

A situação, já de si muito preocupante, vê-se agravada pela escassez de médicos na prisão. Na semana passada, a diretora dos serviços penitenciários do país, Lisette Cervantes, admitiu que os médicos que ali trabalhavam tinham abandonado funções por falta de equipamentos de proteção.

"Não foi porque quiseram ou mesmo porque estivessem com medo. Eles simplesmente não podem ficar desprotegidos para o que é como que uma guerra [contra o vírus]", disse Cervantes.

Em todo o país, a Colômbia registou já mais de 11.500 casos confirmados de coronavírus e 479 pessoas morreram, de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins.