Coronavírus

Grécia prolonga confinamento dos refugiados até 7 de junho

Costas Baltas

Anunciou esta sexta-feira o Ministério das Migrações.

Especial Coronavírus

A Grécia vai prolongar até 7 de junho as medidas de confinamento nos centros de acolhimento de requerentes de asilo, adotadas há mais de dois meses para combater a pandemia da covid-19, anunciou esta sexta-feira o Ministério das Migrações.

"Os ministros da Proteção do Cidadão, da Saúde e das Migrações decidiram que as medidas para evitar a propagação do novo coronavírus vão manter-se em vigor para os residentes dos centros de acolhimento e identificação em todo o país", refere o Governo num comunicado hoje divulgado.

Não foram fornecidos mais detalhes sobre a decisão.

Em 17 de março, o Governo grego decidiu confinar a população migrante dentro dos superlotados campos de refugiados das ilhas e no continente, uma semana antes do confinamento geral imposto a todo o país.

Embora o desconfinamento para a população geral da Grécia tenha começado em 4 de maio, o Governo estendeu o isolamento dos migrantes que vivem nos campos.

A primeira vez que prolongou a medida foi em 10 de maio e devia durar até 21 de maio, tendo hoje decidido prorrogar esse prazo até 7 de junho.

Como no resto do país, a pandemia do novo coronavírus teve pouco impacto nos campos de migrantes: entre os 168 mortos na Grécia, não há, até agora, mortes conhecidas devido à Covid-19 entre a população migrante, de acordo com autoridades.

Além disso, entre os 2.853 casos de infeções pelo coronavírus anunciados até o momento no país, algumas dezenas foram registadas em três instalações do continente, mas nenhuma nos campos das ilhas do mar Egeu.

Os testes para detetar infeções só começaram a ser feitos de forma persistente nos campos a partir do início deste mês.

Apenas dois migrantes que chegaram a Lesbos no início de maio e vivem num acampamento temporário do norte da ilha deram positivo e foram colocados em quarentena.

No campo de Mória, um dos mais sobrelotados da Europa, não foi registado "nenhum caso" de covid-19 até agora, segundo garantiu recentemente o porta-voz do Governo Stelios Petsas.

As organizações humanitárias, incluindo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), pediram, no entanto, a Atenas que "não comprometa" os direitos dos refugiados com restrições impostas a propósito da pandemia.

Mais de 33.000 migrantes requerentes de asilo vivem em cinco campos nas ilhas do Mar Egeu, que têm uma capacidade total de 5.400 pessoas, e 70.000 em outras instalações do continente.

Desde que foi detetada na China, em dezembro passado, a pandemia de covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infetou mais de cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço da agência de notícias AFP.

Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (quase 2,3 milhões contra perto de dois milhões no continente europeu), embora com menos mortes (cerca de 135 mil contra mais de 170 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num "grande confinamento" que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

Por regiões, a Europa soma mais de 170 mil mortos (quase dois milhões de casos), Estados Unidos e Canadá mais de 100 mil mortos (mais de 1,6 milhões de casos), América Latina e Caribe mais de 34 mil mortos (mais de 617 mil casos), Ásia mais de 13.100 mortos (mais de 401 mil casos), Médio Oriente mais de 8.500 mortos (mais de 315 mil casos), África mais de 3.050 mortos (mais de 98.000 casos) e Oceânia com 128 mortos (mais de 8.400 casos).