Coronavírus

Guerras provocaram 660 mil novos deslocados apesar da pandemia

Alexander Ermochenko

Alerta um relatório do Conselho Norueguês para os Refugiados.

Especial Coronavírus

Os conflitos armados provocaram mais de 660 mil novos deslocados em todo o mundo apesar dos apelos da ONU para um cessar-fogo geral por causa da pandemia de covid-19, alerta um relatório do Conselho Norueguês para os Refugiados (CNR).

No dia 23 de março, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um apelo para um "cessar-fogo imediato em todo o mundo" para salvaguardar as populações civis mais vulneráveis à pandemia nos países que enfrentam conflitos armados.

O apelo foi feito no quadro da pandemia de SARS-Cov-2 (covid-19) que, segundo a ONU, agrava a situação das populações atingidas pela guerra.

Desde março e até ao dia 15 de maio pelo menos 661 mil pessoas foram obrigadas a retirar-se dos locais onde residiam em 19 países que enfrentam conflitos armados, de acordo com o relatório do CNR.

O documento publicado hoje frisa que os deslocados de guerra vivem em condições sanitárias deploráveis estando cada vez mais expostos à pandemia do novo coronavírus.

A República Democrática do Congo é o país mais afetado, onde os confrontos entre grupos armados e forças governamentais provocaram uma onda de 482 mil novos deslocados internos, no período indicado, de acordo com o documento da organização não-governamental norueguesa.

O país africano, atingido por vários conflitos e crises sanitárias ao longo das últimas décadas, contava já com 1,7 milhões de deslocados internos.

Segundo o relatório, mesmo nos países onde as partes em confronto expressaram apoio ao apelo de cessar-fogo os combates continuaram, nomeadamente no Iémen, em guerra desde 2014 e que vive uma grave crise humanitária.

O Chade e o Níger são outros países particularmente afetados pela guerra e que conhecem uma recente vaga de deslocados internos.

No total, contabilizaram-se 10 mil novos deslocados, entre 23 de março e o dia 15 de maio, no Afeganistão, República Centro Africana, Síria, Somália e Birmânia.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, paralisado pelo conflito político e diplomático entre os Estados Unidos e a República Popular da China não concordou com a possibilidade de discussão de uma resolução sobre um cessar-fogo "a nível global" capaz de facilitar a propagação da pandemia.

"Enquanto as pessoas são obrigadas a fugir ou são mortas, os membros do poderoso Conselho de Segurança da ONU comportam-se como se fossem crianças", lamentou o secretário-geral do CNR, Jan Egeland, apelando a uma nova postura por parte do organismo.