Coronavírus

Governo prevê subida da taxa de desemprego para 9,6%

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Executivo espera também uma queda de 6,9% relativamente ao PIB.

Especial Coronavírus

Segundo dados do Programa de Estabilização Económica e Financeira, publicados em Diário da república, o Governo prevê uma subida de 9,6% do desemprego em 2020. Uma subida significativa, tendo em conta que no ano anterior a percentagem de desempregados foi de 6,5%.

No que diz respeito ao PIB, prevê-se uma queda de 6,9%, devido à pandemia do novo coronavírus.

Para 2021 o cenário traçado é mais positivo. A atividade económica deverá recuperar para os níveis registados antes da pandemia, com a exceção de alguns setores da economia, como o turismo.

O Governo apresenta na terça-feira a proposta de orçamento suplementar deste ano.

As medidas do Programa de Estabilização Económica e Social

O primeiro-ministro António Costa apresentou esta quinta-feira o Programa de Estabilização Económica e Social, que prevê novas medidas para mitigar o impacto económico e social da pandemia.

Numa conferência de impresa, revelou que, nos últimos três meses, mais de 100 mil trabalhadores ficaram desempregados, 800 mil postos de trabalho entraram em situação de lay-off. No entanto, começaram já a surgir sinais positivos para a retoma da economia. Mais de 90% das empresas portuguesas já retomaram a atividade - embora em níveis inferiores aos de fevereiro - e do número de desempregados, que aumentou 90 mil entre março e abril, 16 mil já voltaram ao mercado de trabalho.

O programa divulgado conta com quatro dimensões: a social, a de apoio ao emprego, às empresas e o institucional.

PROTEÇÃO DOS RENDIMENTOS

Para António Costa, "a perda de rendimentos não é uma forma de superar a crise", mas sim de multiplicar a recessão. Em julho, será pago um complemento de estabilização - uma medida de pagamento único - que visa compensar a perda salarial relativamente a um mês de lay-off, com um mínimo de 100 euros e um máximo de 350 euros para todos os que têm salários até dois salários mínimos nacionais.

Haverá também um pagamento extraordinário do abono de família, que abrange as famílias do 1.º, 2.º e 3.º escalões, que será pago em setembro.

Em relação aos desempregados, o Governo procedeu à prorrogação automática das prestações do subsídio social de desemprego até ao fim de 2020.

PROTEÇÃO E CRIAÇÃO DE EMPREGO

Serão desenvolvidas um conjunto de políticas ativas de emprego, direcionadas para grupos alvo, como por exemplo, jovens ou pessoas com deficiência. A par disso, vão ser desenvolvidos um conjunto de programas com IPSS's que visam reforçar o apoio personalizado nas creches, lares, ou apoio domiciliário. Só este programa prevê a contratação de três mil postos de trabalho.

A formação e a requalificação profissional dos desempregados é também uma das apostas do Governo, que visa formar profissionais capazes de responder às transições digital e energética. Serão também criadas formações iniciais curtas no ensino politécnico, que se destinam a 10 mil jovens e adultos, haverá um estímulo à inserção de adultos no ensino superior (maiores de 23 anos), com vagas para 10 mil adultos no ativo, e ainda estão previstas mais 10 mil vagas de formação de pós-graduação, destinadas a trabalhadores no ativo e/ou desempregados.

DINAMIZAÇÃO ECONÓMICA DO EMPREGO

Neste ponto, o Governo tem como objetivo dinamizar um conjunto de iniciativas que possam ser lançadas num prazo curto e que tenham absorção rápida de recursos humanos, como é o exemplo das obras. Será lançado um programa num valor de 523 milhões de euros, um valor que vai ser distribuído por todo o território nacional.

Neste programa cabem a construção de Faixas de Interrupção de Combustíveis para prevenção dos fogos florestais, a remoção do amianto das escolas (destinados 60 milhões a esta medida em particular) e o lançamento da construção de várias creches.