Coronavírus

Vacina russa contra a Covid-19 "levanta algumas dúvidas"

O imunologista Henrique Veiga Fernandes em entrevista no Primeiro Jornal.

Especial Coronavírus

A Organização Mundial de Saúde apontou seis vacinas contra a Covid-19 que estavam na frente de desenvolvimento, uma vez que se encontravam fase 3 - a fase que implica que haja um ensaio em milhares de pessoas - começou por referir o imunologista.

O anúncio feito hoje pelo Presidente da Rússia sobre o registo da primeira vacina contra a doença "levanta algumas dúvidas, é que a fase 3 aparentemente não foi escrupulosamente cumprida por este ensaio da vacina".

Henrique Veiga Fernandes considera que há cautela da OMS relativamente à vacina anunciada.

De acordo com o imunologista há três pontos relevantes:

1. Questão científica:

Se a vacina é ou não eficaz contra a Covid-19 e, segundo o especialista, os resultados da fase 2 confirmam que sim, que à partida a vacina confere imunidade.

2. Questão da segurança:

O ponto mais crítico, uma vez que a vacina será usada em milhares ou milhões de indivíduos.

"Não queremos uma reação à vacina que causa mais sintomas ou mais doença que a própria doença original"

3. Questão geopolítica:

Há uma corrida importante entre os EUA, a China, a Rússia e a União Europeia para ver quem consegue mais rápido uma vacina eficaz e segura.

O anúncio da Rússia tem em volta "propaganda política", uma vez que foi anunciada pelo Presidente. O nome faz lembrar a guerra fria e, para terminar, a imagem de dizer que é eficaz porque a filha do Presidente já terá sido vacinada, rematou o especialista.

Estão reunidas as condições para uma vacina eficaz e segura no próximo ano?

No entender de Henrique Veiga Fernandes, sim. "Estão reunidas as condições e se não for com uma vacina russa, será com uma das seis que estão em fase avançada ou com uma das cerca de 100 vacinas que estão neste momento em testes".

"Estou confiante que no início de 2021 venhamos a ter uma vacina que seja segura e que confira imunidade".

Rússia anuncia primeira vacina contra a Covid-19. Filha de Putin já tomou

A primeira vacina contra a covid-19 registada no mundo, anunciada hoje pelo Presidente russo, Vladimir Putin, vai entrar em circulação em 01 de janeiro de 2021, segundo o Ministério da Saúde da Rússia.

A data para a distribuição da vacina russa contra o covid-19 foi indicada pela entidade oficial da Rússia que regista medicamentos e que pertence ao Ministério da Saúde, noticia a France-Presse, que cita as agências de notícias russas.

Nas últimas semanas, a Rússia "garantiu" a produção de milhares de doses de vacinas contra o novo coronavírus e "vários milhões" no princípio do próximo ano.

Na altura, a Organização Mundial da Saúde pediu respeito pelos protocolos e regulamentos em vigor sobre o desenvolvimento de uma vacina anti covid-19.

Há vários meses que cientistas e investigadores na Rússia têm estado envolvidos na descoberta de uma vacina, tal como outros países em todo o mundo.

Os investigadores do centro Gamaleia, na Rússia, trabalham em colaboração com o Ministério da Saúde russo.

Uma das filhas do Presidente já a tomou a vacina contra o novo coronavírus.

De acordo com o chefe de Estado, a vacina russa é "eficaz" e superou todas as provas necessárias assim como permite uma "imunidade estável" face ao covid-19.

A filha do presidente que tomou a vacina está bem, avançou Putin.

"Ela participou na experiência", disse Putin, afirmando que a filha teve um pouco de febre "e foi tudo".

As autoridades russas disseram que os profissionais de saúde, professores e outros grupos serão os primeiros a ser vacinados.

A Rússia é o primeiro país a registar uma vacina contra o novo coronavírus, no entanto, muitos cientistas no país e no estrangeiro questionaram a decisão de registar a vacina antes de os cientistas completarem a chamada Fase 3 do estudo.

Essa fase por norma demora vários meses e envolve milhares de pessoas e é a única forma de se provar que a vacina experimental é segura e funciona.

OMS DISCUTE COM A RÚSSIA NOVA VACINA CONTRA A COVID-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e as autoridades de saúde russas estão a discutir o processo para uma possível pré-qualificação da OMS para sua vacina contra a Covid-19 recém-aprovada, disse um porta-voz da OMS esta terça-feira.

O Presidente Vladimir Putin disse que a Rússia se tornou o primeiro país do mundo a conceder aprovação regulamentar para uma vacina contra a Covid-19 depois de menos de dois meses de testes em humanos.

"Estamos em contacto próximo com as autoridades de saúde russas e as discussões estão em andamento em relação à possível pré-qualificação da vacina pela OMS, mas, novamente, a pré-qualificação de qualquer vacina inclui a revisão e avaliação rigorosa de todos os dados de segurança e eficácia exigidos", disse o porta-voz da OMS.

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