Coronavírus

Bruxelas oficializa compra de 300 milhões de doses de vacina contra a Covid-19

Vacina Covid-19

Kirsty Wigglesworth

Em causa está a vacina da empresa farmacêutica AstraZeneca.

Especial Coronavírus

A Comissão Europeia oficializou esta quinta-feira, em nome da União Europeia (UE), a compra de 300 milhões de doses de uma potencial vacina da AstraZeneca contra a covid-19, que está em fase avançada de ensaios clínicos de larga escala.

Em nota de imprensa divulgada em Bruxelas, o executivo comunitário indica que oficializou "hoje, mediante a assinatura formal, o acordo assinado em nome dos Estados-membros da UE com uma empresa farmacêutica AstraZeneca".

"Através do contrato, todos os Estados-membros poderão adquirir 300 milhões de doses da vacina AstraZeneca, com uma opção para mais 100 milhões de doses, a serem distribuídas numa base proporcional à população", destaca a instituição.

A formalização vem no seguimento de um contrato prévio de aquisição assinado pela Comissão Europeia com a AstraZeneca em meados de agosto.

Bruxelas discute "acordos semelhantes" com outros fabricantes de vacinas

Bruxelas indica, também, estar a "discutir acordos semelhantes com outros fabricantes de vacinas", depois de já ter concluído conversações exploratórias com a Sanofi-GSK (31 de julho), a Johnson & Johnson (13 de agosto), a CureVac (18 de agosto).

A farmacêutica britânica AstraZeneca está a desenvolver uma potencial vacina contra o novo coronavírus em conjunto com a Universidade de Oxford, estando já numa fase avançada de ensaios clínicos em larga escala.

Vacina "parece segura e gera anticorpos"

De acordo com os resultados dos primeiros resultados dos ensaios clínicos, divulgados em julho passado, esta possível vacina "parece segura e gera anticorpos", mostrando então resultados promissores no que diz respeito à segurança e imunidade.

Atualmente, essa potencial vacina está na fase três dos testes clínicos, o último antes de receber a aprovação das autoridades regulatórias.

No seguimento de polémicas cláusulas nestes contratos com as farmacêuticas, a Comissão Europeia esclarece, no comunicado de imprensa divulgado esta quinta-feira referente à AstraZeneca, que, "a fim de compensar os riscos tão elevados assumidos pelos fabricantes, os acordos de compra antecipada preveem que os Estados-membros indemnizem o fabricante por responsabilidades incorridas sob determinadas condições".

Ainda assim, "a responsabilidade [principal] continua a pertencer às empresas", clarifica o executivo comunitário.

Comissão Europeia quer acelerar a autorização e a disponibilidade de vacinas bem-sucedidas

A Comissão Europeia indica, ainda, que "juntamente com os Estados-membros e a Agência Europeia de Medicamentos, utilizará as flexibilidades existentes no quadro regulamentar da UE para acelerar a autorização e a disponibilidade de vacinas bem-sucedidas contra a covid-19, mantendo simultaneamente os padrões de qualidade, segurança e eficácia da vacina".

"Os requisitos de segurança necessários e a avaliação específica pela Agência Europeia de Medicamentos como parte do procedimento de autorização de comercialização da UE garantem que os direitos dos cidadãos permanecerão totalmente protegidos", conclui.

Esta semana, a farmacêutica AstraZeneca anunciou que iniciou também testes clínicos de um novo medicamento para prevenir e tratar a covid-19.

A empresa destacou que o medicamento, conhecido como AZD7442, é uma combinação de dois anticorpos monoclonais (anticorpos idênticos) e poderá ter potencial para ser preventivo para as pessoas mais expostas ao coronavírus, além de ter a possibilidade de tratar doentes com covid-19.

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