Coronavírus

Bolsonaro acusado de dar mau exemplo ao dizer que vacinação não será obrigatória

João Doria, governador do estado de São Paulo.

Andre Penner

Governador de São Paulo, considerado um dos possíveis rivais de Bolsonaro nas eleições presidenciais, critica a gestão do Presidente durante a pandemia.

Especial Coronavírus

O governador do estado brasileiro de São Paulo, João Doria, disse que o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, deu "outro mau exemplo" ao defender que uma eventual vacinação contra a Covid-19 não será obrigatória no país.

Em entrevista à Efe por videoconferência, Doria disse que espera poder vacinar 46 milhões de pessoas que vivem em São Paulo, estado mais afetado pela pandemia no Brasil, a partir de janeiro de 2021.

A estimativa refere o período em que se espera que a vacina CoronaVac - desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac numa parceria que inclui o Instituto Butantan, órgão de pesquisa ligado ao governo paulista-, já deverá estar disponível se a sua eficácia for comprovada.

"A distribuição será gratuita e já temos 60 milhões de doses, mas gostaríamos de chegar a 100 milhões para serem utilizadas por brasileiros de outras regiões. Estamos conversando com o Governo para financiar", disse o governador de São Paulo.

Doria, político de centro-direita, de 62 anos, recuperou da Covid-19 recentemente e é considerado um dos possíveis rivais de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022.

"Fiquei dez dias isolado em casa e fiz o último exame no nono dia e o médico me liberou. Ele disse que a minha capacidade de recuperação foi excecional, mas isso serve de alerta para todos, porque eu cuido-me muito, uso máscara, sigo todas as recomendações e, mesmo assim, fui infetado", contou o governador, que faz uma oposição ao chefe de Estado brasileiro especialmente firme durante a pandemia.

Embora as mortes mensais tenham caído 14% em agosto em relação ao mês de julho no Brasil, a região de São Paulo, considerada o motor económico do país, continua a ser duramente atingida pelo novo coronavírus.

"É verdade que já tivemos uma fase mais aguda no Brasil e em São Paulo, nos meses de abril e maio, que foram os mais difíceis. Mesmo assim, alerto que não temos motivos para comemorar", afirmou Doria ao ser questionado sobre o tema.

O governador criticou as atitudes de Bolsonaro na crise sanitária afirmando que "teria sido melhor se tivéssemos um líder no país que não fosse negacionista e orientasse a população a obedecer ao isolamento social, para não dar um mau exemplo de ir a lugares públicos sem máscara, ou estimular multidões, alguém que não estimulava cloroquina como droga salva-vidas contra a pandemia, porque ela não é".

O estado de São Paulo acumula 30.673 óbitos, cerca de 25% do total de mortes registadas no Brasil, país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (quase quatro milhões de casos e 123.780 óbitos), depois dos Estados Unidos.

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