Coronavírus

Vacina russa para a covid-19 ganha força no Brasil

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Sputnik V será testada na Bahia, o segundo estado depois do Paraná a assinar um acordo com a Rússia.

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A vacina Sputnik V, que está em desenvolvimento para combater a pandemia de covid-19, ganha força no Brasil, onde também será testada na Bahia, o segundo estado depois do Paraná a assinar um acordo com a Rússia.

A informação foi avançada hoje pelo Governo estadual da Bahia, que indicou que "assinou um protocolo de confidencialidade para poder participar nos testes da vacina produzida pela Rússia contra a covid-19".

"A previsão é que o estado receba 500 doses da vacina assim que cumpridas as etapas burocráticas", indicou aquele Governo estadual em comunicado.

Antes do acordo de confidencialidade, no qual a Bahia se compromete a resguardar informações sigilosas sobre a vacina e que serão submetidas à aprovação das autoridades reguladoras brasileiras, ambas as partes assinaram um protocolo de entendimento prévio que contempla a produção local do imunizante.

O governador da Bahia, Rui Costa, destacou o alcance do acordo que foi enviado à Embaixada da Rússia e instou o Governo Federal, liderado pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsoanro, a ser "mais incisivo na busca por alianças sem preconceitos ideológicos ou dogmáticos com qualquer nação do mundo".

No mesmo sentido, o governador do estado de São Paulo, João Doria, lamentou "profundamente" a interrupção dos testes da vacina britânica de Oxford, principal aposta de Jair Bolsonaro, que chegou a referir-se depreciativamente às iniciativas chinesas.

"Quanto mais vacinas existirem, melhor. Mais rápido imunizaremos os brasileiros e mais vidas serão salvas. Não importa a origem da vacina, mas sim a sua eficácia comprovada. Não estamos na corrida pelas vacinas, mas sim pela vida", destacou Doria, que lidera a produção no país da chinesa Sinovac.

Atualmente no Brasil, um dos três países mais afetados pela pandemia em todo o mundo, estão a ser realizados testes com as vacinas desenvolvidas pela multinacional Johnson & Johnson, Reino Unido (AstraZeneca e Universidade de Oxford), China (Sinovac Biotech) e consórcio BioNTech (Alemanha) e Wyeth/Pfizer (Estados Unidos).

Além disso, o governo do estado do Paraná, na fronteira do Brasil com Argentina e Paraguai, aguarda autorização das autoridades sanitárias para começar a testar a mesma vacina russa Sputnik V em humanos.

A empresa brasileira de medicina diagnóstica Dasa também anunciou hoje que uma vacina sintética desenvolvida pela farmacêutica Covaxx, com bons resultados iniciais, será testada em cerca de 3.000 voluntários no Brasil.

Trata-se da UB-612, uma possível vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Covaxx, uma divisão da norte-americana United Biomedical, que teve resultados bem-sucedidos na fase um dos testes com voluntários em Taiwan, informaram porta-vozes da Dasa e da Covaxx numa conferência de imprensa virtual.

Em agosto, a Bahia também havia anunciado um protocolo de entendimento com o Grupo Nacional de Biotecnologia da China (CNBG), subsidiária do Grupo Farmacêutico Nacional Chinês (Sinopharm) e responsável pela produção de outras duas vacinas no país asiático que já passaram pelas suas primeiras fases dos estudos.

O protocolo com a estatal chinesa prevê a aplicação das duas vacinas em 6.000 pacientes de toda a região nordeste do Brasil.