Coronavírus

OMS precisa de 30 mil milhões de euros para combater o coronavírus

Denis Balibouse

"Precisamos dar um passo gigantesco em termos de financiamento".

Especial Coronavírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) precisa de 35.000 milhões de dólares (29.300 milhões de euros) para os seus programas de desenvolvimento e distribuição de vacinas, tratamentos e diagnósticos contra a covid-19, alertou hoje o secretário-geral da ONU, António Guterres.

A OMS só conseguiu arrecadar em quatro meses 3.000 milhões de dólares (2.500 milhões de euros).

"Precisamos dar um passo gigantesco em termos de financiamento", disse Guterres, explicando que pelo menos 15.000 milhões de dólares (12.660 milhões de euros) devem ser arrecadados nos próximos três meses "para não perder a janela de oportunidade e potenciar o uso das novas vacinas" contra a covid-19 que tiverem sucesso.

O dinheiro necessário "não vai ser encontrado na tradicional ajuda ao desenvolvimento oficial e é preciso procurar doadores em todos os campos", disse o secretário-geral da ONU.

Guterres participou por videoconferência na reunião do conselho do programa ACT Accelerator, criado pela OMS em maio para financiar investigações sobre ferramentas médicas contra a pandemia e, posteriormente, distribuí-las em países sem poder aquisitivo para comprá-las em grandes quantidades.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também participaram no evento em que a frase mais repetida foi "ninguém estará a salvo até que todos estejamos", aludindo a que, se a pandemia não for interrompida nos países em desenvolvimento, poderá retornar aos desenvolvidos, mesmo quando houver vacinas e melhores terapias.

Guterres disse que a pandemia "é a principal ameaça atual à segurança global", mas ainda não é tarde para a comunidade internacional unir forças para acelerar a investigação de vacinas, testes e tratamentos contra o novo coronavírus nos próximos 12 meses.

"Vamos ser claros: não existe uma panaceia para esta pandemia, não conseguiremos resolver esta crise a curto prazo, mas a vacina deve ser um bem de saúde pública acessível a todos porque a covid-19 não respeita fronteiras", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas.

Por sua vez, Tedros advertiu que "certos nacionalismos podem comprometer os avanços alcançados e dificultar o fim desta pandemia", pelo que reiterou o apelo à unidade à escala global para "aumentar a capacidade geral de investigação de vacinas, tratamentos e diagnósticos para que isso salva vidas".

A presidente da Comissão Europeia acrescentou que 95 por cento da população mundial continua em risco de pandemia e "os países em desenvolvimento são especialmente vulneráveis".

Ursula Von der Leyen lembrou a posição europeia de que as vacinas descobertas contra a covid-19 devem ser consideradas um bem comum da humanidade para que o acesso seja facilitado a todas as populações, ricas e pobres.