Coronavírus

Trump desafia regras de combate à pandemia em campanha no Nevada

Jonathan Ernst

Estiveram milhares de pessoas no evento, a maioria sem máscara tal como o Presidente.

Especial Coronavírus

O Presidente dos Estados Unidos desafiou no sábado regras que limitam o número de pessoas em locais públicos, instauradas para combater a pandemia de covid-19 no estado do Nevada, onde realizou a primeira de duas ações de campanha.

De acordo com a agência de notícias Efe, Trump falou a milhares de pessoas, a maioria sem máscara, no hangar do aeroporto da pequena localidade de Minden, apesar de o Nevada proibir eventos com mais de 50 pessoas, para limitar o risco de contágio.

"O governador do vosso estado esforçou-se muito para nos impedir de realizar este evento esta noite", disse Trump, referindo-se ao democrata Steve Sisolak.

Os responsáveis da campanha para a reeleição do Presidente republicano foram forçados a cancelar dois comícios agendados para sábado e domingo em Reno e Las Vegas, depois de as autoridades do Nevada terem alertado para as restrições em vigor para combater a pandemia.

O aviso não dissuadiu Trump, que marcou um primeiro comício no pequeno aeroporto de Minden, e um segundo para domingo, em Henderson, perto de Las Vegas, na sede de uma empresa. As autoridades locais já ameaçaram a empresa com uma intimação judicial se o evento for para a frente.

"Este tipo [o governador do Nevada] é aquele em quem confiamos milhões e milhões de votos. Ele pode manipular a eleição", acusou Trump, referindo-se à decisão do governador de enviar boletins de voto a todos os eleitores registados no estado, caso queiram votar pelo correio.

Há vários meses que o inquilino da Casa Branca questiona a validade do escrutínio presidencial, defendendo que o recurso de diversos estados ao voto por correio, devido à pandemia, pode implicar fraudes em larga escala, apesar de numerosos estudos demonstrarem que essa situação é muito improvável.

O comício, que durou quase duas horas, realizou-se perto da fronteira com a Califórnia, onde vários incêndios lavram há semanas, cobrindo várias cidades com espessas nuvens de fumo, o que as colocou entre as localidades com a pior qualidade do ar do mundo.

Apesar disso, Trump, que anunciou uma visita à Califórnia na segunda-feira, aproveitou o evento para promover a sua decisão de retirar os Estados Unidos (EUA) do Acordo de Paris relativo às alterações climáticas.

A visita do Presidente norte-americano ao Nevada mostra a sua aposta num estado onde nenhum republicano ganhou uma eleição presidencial desde 2004, numa altura em que o candidato democrata às eleições de novembro, Joe Biden, tem uma vantagem de seis pontos percentuais.

Vários estudos nos últimos anos têm relacionado os cada vez maiores incêndios florestais nos EUA com o aquecimento global provocado pela queima de carvão, petróleo e gás, uma situação que Biden considerou no sábado "uma ameaça existencial".

"O Presidente Trump pode tentar negar a realidade, mas os factos são inegáveis. Temos absolutamente de agir para evitar um futuro marcado por uma avalanche interminável de tragédias, como a que hoje afeta as famílias americanas na costa oeste", disse Biden em comunicado.