Coronavírus

Como é que a DGS vai gerir a pandemia no outono-inverno?

Rafael Marchante

A Direção-Geral da Saúde prevê um aumento da covid-19 e da gripe sazonal, assim como das infeções respiratórias em geral. Como tal, publicou esta segunda-feira um plano de atuação para dar resposta a todos os doentes covid e não-covid.

Especial Coronavírus

A Direção-Geral da Saúde publicou esta segunda-feira o Plano da Saúde para o outono-inverno 2020/2021.

No outono-inverno 2020-21, o sistema de saúde português e o SNS enfrentarão desafios adicionais, devido ao potencial aumento da procura de cuidados de saúde.

Como tal, a DGS desenhou um plano para tentar prevenir a propagação do novo coronavírus de forma a responder a todas as necessidades de saúde dos cidadãos.

Saúde Pública

No âmbito da Saúde Pública, a DGS mantém as recomendações de prevenção da covid-19.

  • Redução do número de contactos entre pessoas;
  • Distanciamento físico;
  • Etiqueta respiratória;
  • Higienização frequente das mãos;
  • Limpeza e desinfeção frequente de equipamentos e superfícies;
  • Ventilação natural dos espaços;
  • Utilização adequada de máscara e EPI;
  • Não sair de casa sempre que existam sintomas sugestivos de covid-19;
  • Contactar o SNS24 sempre que se desenvolvam sintomas sugestivos de covid-19 ou tiver havido contacto com um caso confirmado de covid-19;
  • Cumprimento de todas as orientações das autoridades de saúde e dos profissionais de saúde.

Vacinação contra a gripe

Uma das estratégias para a prevenção da covid-19 da Direção-Geral da Saúde é a vacinação contra a gripe no próximo outono-inverno com um aumento do número de doses e, consequentemente, da cobertura vacinal.

A época vacinal vai começar mais cedo este ano, no final do mês de setembro. O objetivo é conseguir a vacinação mais precoce.

Haverá uma priorização de grupos de risco para a vacinação faseada:

  1. Residentes, utentes e profissionais de ERPI, outros estabelecimentos de respostas sociais e da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI);
  2. Profissionais de saúde do SNS que constituem grupos prioritários;
  3. Grávidas (passam a ter acesso gratuito à vacina);
  4. Restante população abrangida, de acordo com Norma a publicar pela DGS.

Quanto aos locais de vacinação, também serão alargados "de forma a evitar constrangimentos no acesso às unidades prestadores de cuidados de saúde".

Gestão de casos de covid-19

Nas próximas estações, os centros de saúde e hospitais têm de criar áreas específicas para todos os doentes respiratórios. Estas novas áreas chamar-se-ão áreas dedicadas a doentes respiratórios.

O objetivo é que estas sejam diferenciadas das restantes áreas onde passam os outros doentes.

Estes espaços específicos serão exclusivos para atendimento de todos os doentes com sintomas respiratórios. E têm de ter capacidade laboratorial para testar casos de covid-19, gripe e outras infeções.

O seguimento e a vigilância clínica domiciliária dos doentes com suspeita ou confirmação de covid-19 que não apresentam critérios clínicos de gravidade/necessidade de internamento hospitalar realizam-se aravés da plataforma Trace-COVID-19, "de forma a manter a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde".

Triagem e SNS24

Modelo da triagem dupla. Como vai funcionar?

  1. "Triagem e encaminhamento remoto das situações mais graves através do INEM/CODU, com algoritmos discriminatórios para as infeções respiratórias agudas.
  2. Triagem, aconselhamento e encaminhamento remoto através do SNS24. Considerando a experiência acumulada com os algoritmos de “síndrome gripal” e os algoritmos especificamente desenhados para a covid-19, já foi iniciada a integração deste conhecimento na elaboração de algoritmos aperfeiçoados que permitem a identificação de casos suspeitos de covid-19, bem como os critérios de gravidade (e de exequibilidade de isolamento no domicílio) que melhorem o encaminhamento adequado. Desta forma, o SNS24 continuará a reforçar e expandir o serviço informativo clínico, acessível através do canal telefónico e digital.
  3. Triagem presencial nos pontos de acesso do SNS, quer nas unidades dos cuidados de saúde primários quer nas unidades hospitalares, através de um questionário clínico e epidemiológico uniforme que garanta o encaminhamento para o circuito apropriado, a incluir em Norma da DGS".

Stock de medicamentos

As unidades de saúde do SNS devem reforçar os stocks de medicamentos de modo a estabelecer uma reserva estratégica, dispositivos médicos, EPI e testes laboratoriais.

  • Medicamentos específicos, como o "Remdesivir e outros que sejam aprovados pela EMA para utilização clínica em doentes com covid-19, cujo acesso deve ser baseado na melhor evidência científica".
  • Vacinas contra a covid-19, "que serão administradas, após aprovação pela EMA, com carácter universal às populações elegíveis, tendo em atenção as indicações constantes dos respetivos resumos das características do medicamento".

Resposta intersetorial

O plano da DGS também diz que todas as regiões do país vão ter estruturas residenciais para acolher pessoas infetadas, sem sintomatologia grave e que não têm boas condições de habitabilidade.

Resposta não-covid-19

O contacto através de meios não presenciais deve ser facilitado e promovido, mas assegurando a prontidão da resposta presencial sempre que necessário, quer em contexto programado, quer em contexto não programado".

Haverá a criação de “drive-through pré-operatórios” fora das unidades hospitalares para a realização dos exames pré-operatórios, incluindo, quando indicado, o teste laboratorial para SARS-CoV-2;

O plano Outono-Inverno também conta com um serviço de proximidade para a dispensa de medicamentos.