Coronavírus

Governo francês declara estado de emergência com recolher obrigatório

Charles Platiau

Número de internados atingiu hoje um novo valor máximo.

Especial Coronavírus

O Governo francês declarou esta quarta-feira estado de urgência sanitária, com recolher obrigatório entre as 21h00 e as 6h00.

O recolher obrigatório foi anunciado pelo Presidente Emmanuel Macron e vai ser aplicado a nove regiões francesas a partir de sábado e pode vir a durar até seis semanas.

Macron considerou esta noite, em entrevista em direto à televisão francesa, que o recolher obrigatório é "pertinente", mas que um novo confinamento seria "desproporcional".

"O nosso objetivo é reduzir os contactos privados, ou seja, quando estamos mais à vontade. Vamos estar com pessoas que não fazem parte do nosso círculo familiar. É quando estamos mais próximos que há mais risco, portanto o recolher obrigatório é pertinente", afirmou o Presidente.

O recolher obrigatório vai ser instaurado das 21:00 às 06:00 na região de île de France (região parisiense), Lille, Ruão, Saint-Etienne, Toulouse, Lyon, Grenoble, Aix-en-Provence e Montpellier.

Tal como durante o confinamento, haverá exceções a este recolher obrigatório, mas salas de cinema, restaurantes e outros locais de frequentação pública vão fechar a partir das 21:00.

As exceções vão poder ser justificadas através de declarações que vão permitir a quem trabalha ou quem tem de sair de casa à noite, para ir ao médico, por exemplo, possa fazê-lo.

Os transportes vão continuar a circular mesmo depois das 21:00 e com a aproximação de duas semanas de férias escolares, Macron assegurou que não haverá qualquer restrição às viagens entre diferentes regiões.

O desrespeito destas novas regras vai levar à aplicação de multas, como aconteceu no período de confinamento. A multa será de 135 euros e pode agravar-se até 1.500 euros.

Para as reuniões em casa e entre família, Macron aconselhou que seja mantida a "regra dos seis".
"Quando convidamos amigos, devemos tentar que não haja mais de seis pessoas à mesa", disse Emmanuel Macron.

Quanto a ajudas suplementares à economia, nomeadamente aos setores da restauração, cultura e turismo, o Presidente anunciou o restabelecimento da medida de 'lay-off' apoiado pelo Estado com o pagamento de 84% dos salários para os trabalhadores nesses setores de atividade e o pagamento a 100% para os empregadores.

"Vamos ter dispositivos suplementares porque de forma muito clara, eu não quero que os nossos trabalhadores independentes, as nossas pequenas e médias empresas fechem ou vão à falência devido ao recolher obrigatório", indicou o chefe de Estado.

As pessoas com rendimentos mais baixos vão receber nas próximas seis semanas 150 euros extra nas suas prestações sociais e 100 euros por criança.

HOSPITAIS À BEIRA DO COLAPSO


A pressão nos hospitais também se está a fazer sentir no país, onde o número de internados atingiu esta quarta-feira um novo valor máximo: estão a ser assistidas mais de 9.100 pessoas nos hospitais, o maior número desde junho.

Os especialistas temem um colapso do sistema de saúde, numa altura em que o número de infetados continua a aumentar.

O estado de urgência sanitária esteve em vigor em França entre 23 de março e 9 de julho, tendo continuado em vigor nalgumas regiões ultramarinas até setembro.

Este estado permite aos presidentes de câmara, que coordenam as forças de segurança nas diferentes regiões, instituir medidas adicionais face ao que é decidido a nível nacional. Esta nova fase do estado de urgência sanitária vai estar em vigor a partir de sexta-feira à meia-noite.

Desde o início da pandemia, a França registou mais de 750 mil casos positivos, quase 33 mil mortos e tem atualmente 1.512 surtos sob investigação.