Coronavírus

"Covid-19 prolongada". Os efeitos no corpo e na mente que é preciso valorizar e tratar

Pacientes que tiveram sintomas ligeiros também estão a sofrer com esta condição.

Especial Coronavírus

Um relatório preliminar divulgado pelo Instituto britânico para Pesquisa em Saúde (NIHR, na sigla em inglês) informou que um quadro continuado de doenças após a infeção pela covid-19 pode afetar todas as partes do corpo e mente humana.

O impacto duradouro do coronavírus

Esta síndrome é classificada como “Covid-19 prolongada” e traduz-se no impacto continuado da infeção pelo coronavírus que afeta a respiração, o cérebro, o coração, o sistema cardiovascular, os rins, o fígado e até a pele.

Os investigadores explicam que estes sintomas são gerados pelas seguintes condições:

  • Danos permanentes nos pulmões e coração;
  • Síndrome pós Cuidados Intensivos;
  • Síndrome de Fadiga Pós-viral;
  • Permanência de sintomas da covid-19.

Segundo o relatório, alguns dos afetados pela “Covid-19 prolongada” estiveram internados com sintomas severos, mas há outros que registaram apenas sintomas ligeiros e também estão a sofrer com estas condições médicas.

“Está a tornar-se claro que, para alguns indivíduos, uma infeção pelo coronavírus é uma doença com efeitos a longo prazo”, conclui a investigação.

“Para algumas pessoas, estes sintomas estão relacionados com a reabilitação no seguimento de um internamento, mas outros estão a reportar mudanças que alteraram a sua vida, com sintomas que se estão a tornar mais graves à medida que o tempo passa”.

O testemunho de uma infetada: “Agora é o meu filho que cozinha e limpa”

Jo House, uma professora universitária britânica, revelou à BBC que ainda não regressou ao trabalho seis meses após ter sido infetada. Começou por ter tosse, dificuldade em respirar, fatiga e dores de cabeça, mas rapidamente os sintomas evoluíram para problemas cardiovasculares e nos músculos.

“No outro dia levantei-me, fiquei muito tonta, desmaiei e acabei nas urgências”.

Conta ainda que, apesar da sua falta de ar ter melhorado, os sintomas prolongados continuam a ter um impacto enorme na sua vida, razão pela qual o seu filho se viu obrigado a assumir todas as tarefas domésticas.

“Os sintomas de muitos doentes são classificados como ligeiros, mas isto não é ligeiro de todo. Precisamos de ajuda”, disse Jo.

Clínicas especializadas em “Covid-19 prolongada”

O Serviço Nacional de Saúde britânico anunciou recentemente que irá criar clínicas específicas para este tipo de pacientes, que serão já “centenas de milhares”. As estimativas apontam que um em cada 10 infetados com o coronavírus poderá ser afetado pela “Covid-19 prolongada”.

Quantas pessoas sofrem com esta síndrome?

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association feito com 143 pacientes que receberam alta do maior hospital de Roma concluiu que 87% continua a ter pelo menos um sintoma após dois meses.

Um estudo irlandês revelou que 50% dos infetados ainda experienciava fatiga 10 semanas após a infeção. Um terço não conseguiu regressar ao trabalho.

Situação não é inédita

Síndrome de Fadiga Pós-viral é uma condição comum e bem documentada ao longo da história. Cerca de uma em cada 10 pessoas com mononucleose infecciosa experiencia fatiga que dura meses. Há também estudos que sugerem que a gripe, especialmente depois da pandemia de 1918 de gripe espanhola, pode ter ligação a sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson.