Coronavírus

Covid-19: "Estamos numa fase em que as pessoas estão saturadas, a chamada fadiga pandémica"

Tiago Correia, professor de Saúde Pública Internacional em entrevista à SIC Notícias.

Especial Coronavírus

Tiago Correia, professor de saúde pública internacional, em entrevista à SIC Notícias, explica que Portugal está "numa fase crítica em que as pessoas estão saturadas, a chamada fadiga pandémica" e assiste-se a um "descrédito crescente das autoridades na comunicação institucional".

"Qualquer ruído nos acontecimentos, qualquer situação que não devesse acontecer, o facto de acontecer, faz com que a descredibilidade e a crítica aumente."

O professor de Saúde Pública Internacional entende que os decisores políticos "têm de ter alguma consciência de que, além dos aspetos técnicos, há que antecipar os efeitos que os acontecimentos vão ter no comportamento das pessoas e na opinião das pessoas". E diz ainda ser necessário interpretar:

"Se no próximo fim de semana vai haver restrições à mobilidade entre concelhos, claramente as pessoas não percebem por que é que no fim de semana anterior pessoas de todo o país puderam ir até Portimão".

Tiago Correia refere a importância de se perceber as permissões e as restrições: "isso tem de ser clarificado (...) para depois não haver esta ideia das exceções. Nesta fase pode minar ainda mais a confiança".

Acrescenta ainda que o "cansaço está a dominar a vida coletiva" e é preciso "melhor informação, mais localizada e de uma explicação muito clara sobre o que se pretende que aconteça".

Tiago Correia defende no entanto que "as medidas precisam de ser proporcionais ao risco local para que as pessoas percebam o que está acontecer".

"Considero que as medidas estão desadequadas na medida em que são tomadas à escala nacional."

Defende o "princípio da proporcionalidade e da transparência", porque "sem estes princípios é muito difícil fazer alinhar o comportamento das pessoas".

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